Juros altos ampliam dívidas e podem exigir novo Desenrola, diz Boulos
Juros altos estão “drenando recursos dos trabalhadores” e elevando o endividamento das famílias brasileiras, avaliou o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Guilherme Boulos, em entrevista concedida recentemente ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Taxas consideradas “escandalosas”
Boulos afirmou que, sem uma redução expressiva das taxas cobradas pelos bancos, o país terá de lançar sucessivas edições do Desenrola Brasil, iniciativa criada para renegociar dívidas de pessoas físicas. “Se os juros continuarem nesse patamar, nenhuma ação de educação financeira dará conta”, declarou.
O ministro criticou a política de cortes graduais da taxa básica de juros. Segundo ele, “baixar a conta-gotas” manterá o patamar elevado por décadas. Para reforçar o argumento, comparou o Brasil à Espanha: enquanto a inadimplência média em linhas de crédito semelhantes é de 4,2% aqui e 3,5% lá, a cobrança de juros chega a 65% no mercado brasileiro, ante apenas 3% no espanhol.
Desenrola alivia, mas não resolve
Na avaliação de Boulos, o Desenrola Brasil tem aliviado parte da pressão sobre as famílias. Ele destacou descontos médios de 65% nas dívidas e limites menores de juros nas renegociações. Em uma única semana, o programa registrou cerca de R$ 1 bilhão em contratos fechados. “Lula criou essa ferramenta para reduzir o estrangulamento, mas, sem juros menores, será preciso repetir o programa”, advertiu.
Apostas online e risco de lavagem de dinheiro
O ministro também relacionou o avanço das plataformas de apostas digitais ao aumento do endividamento e citou indícios de lavagem de dinheiro por organizações criminosas. Criticou ainda a carga tributária aplicada ao setor, que paga 12% de imposto, enquanto trabalhadores, como jornalistas, podem chegar a 27,5%. As declarações ecoam discussões já levantadas pelo Banco Central sobre riscos financeiros e regulatórios.
“As bets viraram uma epidemia. Não adianta proibir cassinos físicos se o cassino está no celular do seu filho”, concluiu Boulos, citando operações da Polícia Federal que investigam o tema.
Com a manutenção de juros elevados, o ministro defende mudanças estruturais para evitar que o crédito continue comprometendo o orçamento familiar e ampliando a inadimplência no país.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
