Cessar-fogo no Líbano é fruto da união do Eixo da Resistência, dizem Irã e Hezbollah O cessar-fogo que interrompeu semanas de combates no sul do Líbano é resultado direto da coesão militar e política do chamado Eixo da Resistência, segundo avaliações convergentes do governo iraniano e do grupo libanês Hezbollah.
Cessar-fogo no Líbano é fruto da união do Eixo da Resistência, dizem Irã e Hezbollah
Em nota oficial, o Hezbollah declarou ter realizado 2.184 operações contra o Exército israelense ao longo de 45 dias — média de 49 ações diárias — atingindo posições dentro do território libanês e alvos a até 160 quilômetros além da fronteira israelense. O comunicado, transmitido pela emissora Al-Manar, adverte que “a mão permanecerá no gatilho” caso o pacto seja descumprido.
Teerã apresentou avaliação semelhante. Mohammed B. Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã e chefe da delegação que dialoga com Washington, afirmou nas redes sociais que a trégua “é fruto da Resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência” e será monitorada “com cautela” até “a verificação completa da vitória”.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei, atribuiu o acordo aos esforços diplomáticos de Teerã, lembrando as rodadas de conversas mantidas em Islamabad e com outros atores regionais. “A República Islâmica insistiu num cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, ressaltou.
Os Estados Unidos tentam apresentar o desfecho como resultado de mediação da Casa Branca. Fontes ouvidas pelo jornal israelense The Times of Israel relataram que ministros foram “surpreendidos” quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comunicou ter aceitado a trégua a pedido do presidente Donald Trump.
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Antes da pausa nos combates, Netanyahu havia reiterado o plano de avançar até o rio Litani, a aproximadamente 30 quilômetros da fronteira, e ordenado a tomada da cidade de Bent Jbeil. Mesmo após o anúncio, oficiais israelenses entrevistados pelo portal Ynet garantiram que as tropas permaneceriam no território libanês.
Encerradas as hostilidades, Teerã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz a embarcações comerciais, medida que era condicionada pelo Irã à implementação do cessar-fogo libanês para prosseguir as negociações com Washington. Uma segunda rodada de diálogos bilaterais está prevista para os próximos dias.
O atual ciclo de violência começou em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a bombardear o norte de Israel em solidariedade aos palestinos na Faixa de Gaza. Um acordo de trégua estabelecido em novembro de 2024 não foi respeitado por Tel Aviv, que manteve ataques em solo libanês. Novas hostilidades irromperam após a ofensiva israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro, e o assassinato do líder supremo Ali Khamenei, motivando o retorno dos disparos do Hezbollah.
A confrontação entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita surgiu para resistir à ocupação israelense. Em 2000, o grupo forçou a retirada das tropas de Israel e, desde então, transformou-se em partido com cadeiras no Parlamento libanês, enfrentando novos conflitos em 2006, 2009 e 2011.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
