Câmara retoma trabalhos após retirada à força de Glauber Braga
Câmara retoma trabalhos depois que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira da presidência por agentes da Polícia Legislativa Federal, no plenário Ulysses Guimarães, na última terça-feira (9 de dezembro).
Presidência reabre sessão com pauta sobre o CAR
Ao reassumir o comando, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), retomou a sessão direcionando a votação para o projeto que altera regras do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A estratégia buscou conter o clima de tensão instalado após o episódio.
Motta adiantou ainda que o plenário deverá analisar, em seguida, o projeto de lei que revisa a dosimetria das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta abre margem para redução de punições.
Pronunciamento de Hugo Motta
De volta à cadeira, Motta declarou que “a presidência pertence à República, à democracia e ao povo brasileiro”, ressaltando que nenhum parlamentar tem autorização para transformá-la em palco de “intimidação ou desordem”. Segundo ele, deputados “podem muito, mas não tudo”; fora do Regimento, qualquer ação configura abuso.
O presidente também determinou investigação sobre possíveis excessos contra profissionais de imprensa. Durante a ocupação de Braga, a transmissão da TV Câmara foi cortada e repórteres relataram agressões cometidas por policiais legislativos, conforme noticiado pela Agência Brasil.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Reação de Glauber Braga e aliados
Arrastado para o Salão Verde com as roupas rasgadas, Braga classificou a ação como desproporcional. Na presença de deputados governistas, afirmou que Motta tratou “com docilidade” parlamentares que, em agosto, ocuparam as mesas diretoras por 48 horas em protesto contra a prisão domiciliar de Bolsonaro, enquanto a reação contra ele ocorreu “em poucas horas”.
A ocupação iniciou-se após Motta anunciar que levaria à votação o pedido de cassação de Braga, além dos processos contra Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), ambos já condenados pelo Supremo Tribunal Federal. O deputado do PSOL pode perder o mandato por ter desferido um chute em um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) no ano passado.
Cenário político e próximos passos
Braga denunciou que sua possível cassação viria acompanhada de um “pacote” que inclui a anistia discutida no projeto sobre dosimetria, capaz de reduzir a eventual pena de Bolsonaro para dois anos. Ele também acusou a Mesa Diretora de tentar preservar os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro em caso de desligamento por faltas.
Com a investigação sobre a retirada da imprensa e a expectativa de votações sensíveis, a Câmara permanece no centro do debate político nacional.
Quer acompanhar os desdobramentos desse e de outros temas no Congresso? Visite nossa editoria de Política e continue bem-informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
