A Justiça Federal do DF autorizou a Caixa a pesquisar veículos e ativos financeiros ligados à deputada cassada antes de sua citação. O banco cobra R$ 86 mil por cartões, crédito rotativo e empréstimo consignado; Zambelli está na Itália.
A Justiça Federal do Distrito Federal autorizou, no último dia 5, a Caixa Econômica Federal a realizar pesquisas para localizar veículos e ativos financeiros em nome da deputada federal cassada Carla Zambelli, antes mesmo de sua citação em uma ação de cobrança movida pelo banco. A instituição cobra mais de R$ 86 mil referentes a contratos de cartão de crédito, crédito rotativo e empréstimo consignado.
De acordo com o processo, foram abertas dificuldades para localizar a ex-deputada e efetivar sua citação. Zambelli está na Itália, e em maio a Justiça italiana determinou sua soltura e anulou o processo de extradição que poderia resultar em seu retorno ao Brasil.
No mesmo dia 5, foi protocolado o início dos procedimentos para identificar possíveis valores disponíveis em contas bancárias vinculadas à ex-deputada. A medida busca localizar patrimônio que possa ser utilizado para o pagamento da dívida cobrada pela Caixa.
Sobre a cobrança, Zambelli afirmou que parte dos valores se refere a despesas do mandato e que os gastos pessoais estavam concentrados em outra conta bancária. Segundo ela, o cartão da Caixa era usado para despesas do gabinete.
“Eu tinha empréstimo consignado no meu salário. Teve meu cartão de crédito que, quando bloqueou, eu não tinha nem como pagar”.
Em seguida, ela explicou a destinação do cartão vinculado à Caixa e afirmou que não houve reembolso de certas despesas.
“Esse da Caixa, fora o empréstimo consignado, é de um cartão de crédito que a gente usava, em limite, para o gabinete. Era do gabinete, gastos só do gabinete.”
Zambelli indicou ainda que cerca de R$ 20 mil corresponderiam a um empréstimo pessoal entre os valores cobrados, e que o restante estaria ligado às contas do gabinete que não foram reembolsadas.
“Deve ter um empréstimo aí, acho que de 20 mil, o resto é conta do gabinete que foi depois caindo e não teve reembolso”.
Além disso, a ex-deputada afirmou que parte dos recursos que poderiam ser usados para quitar a dívida foi bloqueada no âmbito de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Quando teve reembolso, entrou para o STF. Eles bloquearam muito dinheiro meu no STF. Eu nem sei quanto. Deve ter sido tipo uns R$ 40 mil.”
Os procedimentos autorizados pela Justiça têm por objetivo identificar e localizar bens e valores que possam garantir o pagamento da cobrança da Caixa. O processo seguirá os trâmites legais para tentativa de citação e eventual execução, conforme as medidas já protocoladas no dia 5.


