Brasileiros mortos no Líbano marcam mais um capítulo da escalada de bombardeios israelenses contra áreas civis no sul do país, depois que Manal Jaafar, 47 anos, o marido Ghassan Nader, 57, e o filho Ali Ghassan Nader, 11, foram atingidos em Bint Jeil, no último domingo (26 de abril).
Tragédia familiar expõe riscos cotidianos
O casal, que viveu 12 anos no Brasil e voltou ao Líbano em busca de estabilidade, estava em casa quando o ataque ocorreu. O outro filho, também brasileiro, sobreviveu e segue hospitalizado. O jornalista libanês Ali Farhat, amigo próximo da família, relatou que a comunidade recebeu a notícia “com muito sofrimento”, reforçando que mais de 2,5 mil civis já morreram em ataques similares, segundo números do Ministério da Saúde libanês.
Retorno motivado por cessar-fogo foi interrompido
De acordo com Farhat, Manal e Ghassan tinham deixado temporariamente a residência devido aos bombardeios, mas retornaram após um cessar-fogo. O plano de Ghassan era investir a renda obtida no comércio em Foz do Iguaçu (PR) para consolidar uma vida tranquila no país natal, priorizando os estudos dos filhos e a convivência familiar.
Perfil de Ghassan Nader
Empresário, pesquisador e ativista humanitário, Ghassan era conhecido por artigos sobre economia global e participação em eventos culturais. “Ele não tinha envolvimento político ou militar”, ressaltou Farhat, que vive há 25 anos no Brasil.
Bombardeios sem distinção entre civis e militares
As Forças de Defesa de Israel têm sido acusadas de lançar mísseis sem aviso prévio contra bairros residenciais. Uma análise da BBC News destaca que templos religiosos, cemitérios e infraestrutura básica também viraram alvo, ampliando o temor de um “genocídio” semelhante ao registrado na Faixa de Gaza, conforme classificação de Farhat.
Reação da comunidade libanesa no Brasil
Para Melina Manasseh, da Federação Árabe da Palestina no Brasil, a morte da família “repete o histórico de violações” cometidas por Israel. Ela lembra que o sul do Líbano esteve ocupado militarmente por 18 anos e afirma que a atual ofensiva segue o modelo aplicado nos territórios palestinos, com expansão de assentamentos e pouca atenção às resoluções da ONU.
Impactos diplomáticos
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou oficialmente a morte dos três cidadãos e informou que acompanha a situação dos sobreviventes. Apesar da gravidade, Manasseh observa que a diáspora libanesa de cerca de 9 milhões de descendentes no Brasil “ainda não se mobiliza de forma suficiente” diante do conflito.
O ataque que vitimou a família brasileira evidencia a rotina de insegurança no sul do Líbano e renova o debate sobre a proteção de civis em zonas de guerra.
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Crédito da imagem: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
Fonte: Agência Brasil
