Bolsonaro: laudo da PF aponta uso de solda em tornozeleira eletrônica A Polícia Federal concluiu, em laudo pericial divulgado em 17 de dezembro de 2025, que o ex-presidente Jair Bolsonaro danificou a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda enquanto estava em prisão domiciliar.
Bolsonaro: laudo da PF aponta uso de solda em tornozeleira eletrônica
Peritos do Instituto Nacional de Criminalística analisaram o dispositivo entregue pela Secretaria de Administração Penitenciária e identificaram danos significativos na capa plástica. Testes comparativos aplicando calor de ferro de solda no mesmo material mostraram marcas idênticas às do equipamento violado, confirmando o método utilizado.
Segundo o relatório, não foram realizados ensaios com outras ferramentas; ainda assim, a compatibilidade dos danos foi considerada suficiente para atestar a tentativa de rompimento. Os profissionais observaram que a ação foi conduzida “sem precisão técnica” e classificaram a execução como “grosseira”.
A tentativa de Bolsonaro ocorreu em 22 de novembro, data em que ele já cumpria prisão domiciliar. Na ocasião, o ex-presidente admitiu aos agentes o uso do ferro de solda, informação agora corroborada pela perícia.
O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha os desdobramentos do processo relacionado à trama golpista de 8 de janeiro. Detalhes do laudo constam em despacho enviado ao STF e também foram divulgados pela Agência Brasil, veículo público de comunicação federal.
Desde a condenação definitiva, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses em sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O ex-presidente responde ainda a outros inquéritos que investigam sua participação em atos antidemocráticos.
Com a confirmação pericial, a defesa de Bolsonaro prepara manifestação ao Supremo, enquanto a Procuradoria-Geral da República avalia a possibilidade de novas medidas punitivas pela violação do equipamento de monitoramento eletrônico.
Para especialistas, a constatação de dano intencional pode agravar o regime de cumprimento de pena, já que viola as condições impostas pela Justiça. A jurisprudência do STF prevê que a integridade da tornozeleira eletrônica é obrigação do réu, e qualquer alteração deliberada configura falta grave.
No âmbito político, partidos de oposição citaram o laudo como prova de reiterada resistência do ex-presidente às decisões judiciais. Aliados de Bolsonaro reiteraram que o ex-mandatário colaborou com a investigação e negaram tentativa de fuga.
Em Brasília, setores de segurança analisam reforços nos protocolos de fiscalização de presos monitorados eletronicamente, diante da facilidade de acesso a ferramentas domésticas capazes de danificar os dispositivos.
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Crédito da imagem: SEAP/Divulgação
Fonte: SEAP/Divulgação
