Bolívia prende líderes de protestos que já completam 36 dias, com 81 bloqueios rodoviários registrados em todo o país e apoio público do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ao presidente Rodrigo Paz.
Bolívia prende líderes de protestos após apoio militar dos EUA
As forças de segurança bolivianas detiveram, entre 2 e 5 de junho, figuras centrais da mobilização contra o governo. Entre elas estão a ex-senadora Simone Quispe, o dirigente comunitário Justino Apaza e a líder camponesa Yesenia Varga. As ordens de prisão citam acusações de terrorismo e instigação pública para delinquir, mas organizações sociais classificam as ações como sequestros e exigem a libertação imediata dos detidos.
Prisões motivam acusações de sequestro
Familiares de Simone Quispe afirmam que agentes encapuzados a retiraram de casa sem mandado judicial, transportando-a em uma van sem placas. A Central Operária da Bolívia (COB) divulgou nota alertando que não tolerará “práticas de perseguição contra líderes sociais”. Pedidos de captura contra Vicente Salazar, dos Ponchos Rojos, e Mario Argollo, presidente da COB, chegaram a ser solicitados, mas o Judiciário os revogou.
Bloqueios geram desabastecimento
Os protestos surgiram após críticas à qualidade do combustível e ganharam força com a promulgação de uma lei de terras vista por camponeses como favorável ao agronegócio. Os bloqueios espalhados por La Paz, Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca provocam escassez de alimentos, remédios e combustíveis. A Administradora Boliviana de Rodovias (ABC) contabilizou 81 pontos interditados em 5 de junho.
EUA oferecem respaldo militar
O secretário norte-americano Pete Hegseth escreveu, em rede social, que “a Bolívia não deve cair no antigo status quo narco-terrorista” e prometeu apoiar o governo na Coalizão Contra o Cartel das Américas. Analistas, como o cientista político Clayton Cunha Filho, veem risco de que o endosso aumente a disposição das Forças Armadas para reprimir manifestações, embora considerem improvável uma intervenção direta dos EUA. A declaração de Hegseth repercutiu internacionalmente e foi noticiada pela agência Reuters, ampliando a pressão externa.
Renúncias no governo intensificam crise
Antes das detenções, o gabinete de Rodrigo Paz sofreu três baixas: Marcelo Salinas (Defesa) e Beatriz García (Educação) deixaram os cargos em 2 de junho; Edgardo Morales (Trabalho) renunciara em 21 de maio. O Ministério da Defesa passou a ser chefiado por Ernesto Justiniano, defensor do retorno da DEA, expulsa em 2008.
Enquanto o Congresso discute novo marco jurídico para estados de exceção, setores indígenas, camponeses e sindicais mantêm a exigência de renúncia presidencial, prometendo sustentar a mobilização “até que a voz das ruas seja ouvida”. Especialistas preveem que a combinação de prisões, desabastecimento e apoio externo pode prolongar a instabilidade.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
