Escala 6×1: estudo europeu aponta que jornada menor não diminui PIB — Pesquisa publicada pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA) analisou a redução da jornada semanal em França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia entre 1995 e 2007 e concluiu que a medida não provocou queda do Produto Interno Bruto nem perda significativa de empregos.
Escala 6×1: estudo europeu aponta que jornada menor não diminui PIB
Metodologia examinou 32 setores econômicos
O levantamento, conduzido pelos pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini, avaliou 32 segmentos da economia com base em bancos de dados de instituições europeias, encerrando a série em 2007 para evitar distorções ligadas à crise financeira global do ano seguinte. Segmentos com alta participação de trabalhadores autônomos ou do serviço público — como agricultura, educação, saúde, assistência social, artes e entretenimento — foram excluídos para garantir maior comparabilidade.
PIB e emprego permaneceram estáveis
Segundo o artigo, as reformas implementadas nos cinco países não geraram variações negativas no PIB. O nível de emprego também se manteve estável, contrariando previsões que indicavam risco de demissões caso o custo do trabalho por hora aumentasse. De acordo com o IZA, o crescimento econômico relativamente robusto observado nos países estudados sugere que o mercado absorveu rapidamente o encurtamento da jornada e o consequente reajuste salarial por hora.
Tese da “partilha do trabalho” não foi confirmada
Os autores reforçam que os dados não corroboram a ideia de “partilha do trabalho”, segundo a qual empresários contratariam mais funcionários para compensar horas reduzidas. Tampouco se verificou a hipótese inversa, utilizada por entidades patronais, de que a redução da jornada sem corte de salário resultaria em dispensa de trabalhadores. “Não há evidências de que reformas no horário padrão provoquem redistribuição de trabalho ou perda significativa de postos”, afirma o estudo.
Reflexos sobre salário-hora e produtividade
Embora tenham sido identificados efeitos positivos sobre salários por hora e valor adicionado por hora trabalhada, os impactos foram considerados estatisticamente pequenos. Para o IZA, a dinâmica se assemelha ao efeito de um aumento do salário mínimo: ganhos para o trabalhador e absorção relativamente rápida pelo mercado.
Bem-estar pode ser beneficiado
O documento destaca que, ao liberar mais tempo de lazer sem reduzir a renda, a jornada mais curta tende a elevar o bem-estar dos empregados. As empresas, por sua vez, podem experimentar ganhos de produtividade e maior capacidade de atrair e reter talentos, em linha com estudos recentes sobre saúde ocupacional e eficiência. Informações complementares sobre a pesquisa estão disponíveis no site do IZA – Institute of Labor Economics, referência internacional em economia do trabalho.
Para quem acompanha o debate brasileiro sobre a escala 6×1, os resultados europeus oferecem um contraponto às projeções que estimam queda do PIB ou disparo do desemprego caso a jornada regular seja encurtada.
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Crédito da imagem: Reuters/Luis Boza/Arquivo
Fonte: Reuters/Luis Boza/Arquivo
