Assessor de Lula classificou declaração do secretário de Estado americano como sem precedentes na história diplomática entre os dois países. Nem nos anos de conspiração contra Jango algo assim ocorreu.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, avaliou como “inédita” a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que excluiu o Brasil do grupo de países considerados aliados ou amigáveis a Washington. Para Amorim, essa manifestação representa um evento sem precedentes nos 202 anos de relações diplomáticas entre Brasil e EUA.
Em suas palavras, Amorim comentou:
“A declaração de Rubio é inédita. Nem quando o Dean Rusk e o Lincoln Gordon estavam conspirando [para derrubar o presidente João Goulart], um secretário de Estado excluiu o Brasil da lista de países amigos.”
O ex-chanceler ainda destacou que a declaração é “impressionante e preocupante” e que é necessário observar as consequências dessa situação. Ele ressaltou:
“Precisamos ver o que ocorrerá a partir disso, mas nem quando havia conspiração essa situação foi formalizada.”
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A declaração de Marco Rubio ocorreu durante uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, realizada no dia 2 de junho. Durante sua fala, Rubio defendeu a política externa do governo dos Estados Unidos para a América Latina, afirmando que a região vive um momento de aproximação com Washington. Ele descreveu o continente como uma área “repleta de aliados dos EUA” e, em seguida, fez uma lista de exceções, incluindo o Brasil.
O secretário de Estado afirmou:
“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia, ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA, de líderes amistosos aos EUA e de uma direção favorável aos interesses americanos.”
A manifestação de Rubio ocorre em um contexto de aumento das tensões entre Brasília e Washington. Na véspera da audiência, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Amorim já havia se manifestado sobre essa situação, destacando a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas alertando que tentativas de ingerência externa seriam inaceitáveis.
Recentemente, Rubio também anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma medida que foi contestada pelo governo brasileiro. Em resposta a essa pressão, a Casa Branca ampliou as tarifas comerciais, propondo uma nova tarifa de 12,5% contra o Brasil, vinculada a uma investigação sobre o uso de trabalho forçado.


