Alimentos ultraprocessados impulsionam lanche infantil, diz Unicef
Alimentos ultraprocessados impulsionam lanche infantil, diz Unicef Pesquisa feita com 600 famílias de Belém, Recife e Rio de Janeiro revela que preço baixo, praticidade e fatores emocionais mantêm produtos industrializados no cardápio de crianças brasileiras.
Mulheres concentram responsabilidade pela alimentação
O levantamento, divulgado em 31 de março pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que 87% das mães compram e servem a comida dos filhos e 82% ainda preparam as refeições. Entre os pais, esses índices caem para 40%, 31% e 27%, respectivamente. A sobrecarga materna faz com que a conveniência de macarrão instantâneo, iogurte aromatizado ou biscoito recheado pese na decisão de compra.
Percepção de preço favorece produtos industrializados
Para 67% das famílias, sucos de caixinha, salgadinhos e refrigerantes são considerados baratos. Já frutas, legumes e carnes foram classificados como caros por 76%, 68% e 94% dos entrevistados, nessa ordem. Essa diferença de custo reforça a presença de alimentos ultraprocessados em metade dos lanches infantis e em 25% dos cafés da manhã.
Desconhecimento sobre rótulos e “falsos saudáveis”
Mesmo com a nova rotulagem frontal obrigatória no país, 26% dos entrevistados disseram não entender os alertas de alto teor de açúcares, sódio ou gorduras saturadas. Além disso, 55% afirmaram que nunca verificam essas informações, e 62% admitem não ter deixado de comprar nenhum item por causa dos selos. Produtos como iogurte saborizado e nuggets assados na airfryer foram apontados como saudáveis pela maioria, ilustrando a falta de clareza sobre o que realmente é ultraprocessado.
Consequências para a saúde infantil
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo excessivo de ultraprocessados aumenta o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. No estudo do Unicef, refrigerantes, embutidos e macarrão instantâneo figuram entre os itens mais presentes nas prateleiras domésticas, potencializando esses riscos ao longo da infância.
Recomendações do Unicef para frear o consumo
Entre as medidas sugeridas estão a ampliação da tributação sobre produtos ultraprocessados, o reforço da publicidade responsável, a expansão de creches e escolas em tempo integral e a promoção de hortas comunitárias. O fundo também propõe campanhas educativas para explicar a rotulagem frontal e orientar famílias desde a gestação sobre escolhas alimentares mais saudáveis.
No resumo, o relatório destaca que controlar a oferta de alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares e nas propagandas dirigidas às crianças pode reduzir a exposição a esses produtos e auxiliar no desenvolvimento de hábitos alimentares equilibrados.
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Crédito da imagem: Unicef
Fonte: Unicef
