Calor extremo no Rio de Janeiro: MPF e Defensorias exigem ação urgente
Calor extremo no Rio de Janeiro motivou o Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União e do Estado a cobrarem, em ofício encaminhado na noite de 26 de dezembro, providências imediatas do governo fluminense e da prefeitura da capital para proteger grupos vulneráveis diante das temperaturas recordes.
Órgãos cobram resposta coordenada
Destinado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e a secretários das áreas de Saúde, o documento ressalta que termômetros acima de 40 °C configuram risco sanitário, com possibilidade de desidratação, agravamento de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica e até golpe de calor, condição com alta mortalidade.
Os autores lembram que os impactos não são homogêneos: crianças, idosos, gestantes, pessoas com deficiência, doentes crônicos, trabalhadores a céu aberto e a população em situação de rua sofrem mais. Segundo o ofício, a desigualdade no acesso a água potável, ambientes refrigerados e sombra amplia os perigos.
Recomendações urgentes listadas
No documento, MPF e Defensorias recomendam:
- ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária;
- divulgação de endereços com ar-condicionado disponíveis ao público;
- distribuição ampliada de água potável nas áreas de maior circulação de pessoas em vulnerabilidade;
- preparo do Corpo de Bombeiros para resgates e garantia de leitos na rede hospitalar;
- envio, em até 24 horas, de relatório detalhando pontos de resfriamento, horários de funcionamento, fluxos de atendimento e ações de resgate já deflagradas.
Escalada do calor e pressão sobre a saúde
A cidade do Rio permanece no nível 3 de alerta para calor — em escala que vai até 5 — desde 24 de dezembro. Na tarde de Natal, a capital registrou 40,1 °C, recorde do mês, e a previsão indicava manutenção de máximas próximas dos 40 °C até o fim de dezembro. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para parte das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, atribuindo o fenômeno a um bloqueio atmosférico.
Na rede municipal de saúde, a Secretaria municipal relatou média de 450 atendimentos diários relacionados ao calor, predominando tontura, fraqueza, desmaios e queimaduras solares. O governo estadual alertou os 92 municípios sobre os riscos e a necessidade de reforçar plantões médicos.
População de rua sob maior risco
O ofício enfatiza que pessoas em situação de rua têm acesso limitado a hidratação e proteção solar. Para esse público, o protocolo municipal recomenda a ampliação de horários de funcionamento de espaços climatizados, bem como a montagem de estações de hidratação em pontos estratégicos.
Nas próximas horas, governo e prefeitura devem detalhar as medidas adotadas. Caso as informações não sejam apresentadas, MPF, DPU e DPRJ avaliam adotar novas iniciativas para assegurar o cumprimento das recomendações.
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Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
