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Política

Alckmin rebate EUA e chama tarifas sobre produtos brasileiros de injustas

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 11/06/2026
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O vice-presidente Geraldo Alckmin reagiu com indignação às novas tarifas americanas sobre produtos do Brasil. Em reunião com a equipe econômica, o governo federal rejeitou as recomendações dos EUA e prometeu resposta firme.

O governo federal manifestou uma forte reação política à conclusão preliminar da investigação da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em reunião realizada na última segunda-feira, dia 01 de junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin e membros da equipe econômica classificaram a recomendação que pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros como “injusta” e “descabida”.

Durante a coletiva de imprensa, Alckmin expressou indignação em relação à decisão e rebateu os argumentos apresentados pelos americanos. O vice-presidente destacou que o sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX, é um patrimônio nacional e não prejudica as empresas estrangeiras. Segundo ele, tanto as empresas americanas quanto as brasileiras recebem tratamento igual no Brasil.

O PIX se tornou um símbolo da reação do governo. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, enfatizou que o sistema não está e não estará na mesa de negociação. Por sua vez, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou o PIX como o principal símbolo da soberania financeira brasileira e garantiu que será protegido pelo governo.

Além disso, os representantes do governo contestaram outros pontos levantados na investigação, como os acordos comerciais do Mercosul, a política ambiental, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual e as tarifas aplicadas ao etanol. O governo argumentou que os Estados Unidos são os principais beneficiários do sistema brasileiro de patentes, respondendo por cerca de 30% dos registros analisados pelo INPI.

Alckmin também destacou que a balança comercial é amplamente favorável aos Estados Unidos. Dados apresentados pelo governo indicam que os norte-americanos registraram um superávit superior a US$ 40 bilhões em bens e serviços na relação comercial com o Brasil apenas no último ano. Além disso, 76% das importações vindas dos Estados Unidos entram no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação.

A coletiva de imprensa também foi marcada por críticas à oposição. Alckmin afirmou que “falsos patriotas” estariam sabotando os interesses nacionais ao atuar politicamente junto ao governo americano. Márcio Elias Rosa citou nominalmente o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que as iniciativas da oposição têm dificultado o avanço das negociações bilaterais.

Em nota divulgada após a reunião, o governo afirmou que a investigação da Seção 301 teve início em julho de 2025, provocada pela família Bolsonaro. O texto acusa membros da oposição de conspirarem contra os interesses nacionais e sabotarem o diálogo entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

As negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam em andamento e devem prosseguir até o encerramento da investigação, previsto para o dia 15 de julho. A estratégia do governo é intensificar o diálogo com autoridades americanas e mobilizar também o setor privado dos dois países, visando evitar que as recomendações preliminares se transformem em tarifas efetivas.

Se isso ocorrer, o governo estima que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderão ser afetadas, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados.

Apesar das críticas, o Palácio do Planalto reafirmou seu compromisso com a negociação diplomática, mas ressaltou que poderá utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para responder a eventuais medidas consideradas injustas contra o Brasil.

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