Acordo Mercosul-União Europeia recebe aval histórico da UE
Acordo Mercosul-União Europeia foi aprovado por ampla maioria dos 27 países da União Europeia em 9 de janeiro de 2026, consolidando a etapa final de negociação de um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo.
Aprovação sinaliza compromissos de crescimento
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, divulgou na rede social X que a decisão “envia um sinal forte” sobre o empenho do bloco em gerar crescimento, empregos e proteger os interesses de consumidores e empresas europeias. O Conselho da UE garantiu o aval necessário ao reunir pelo menos 15 Estados-membros que, juntos, representam mais de 65% da população do bloco — requisito mínimo para validar o acordo.
Próxima etapa será no Parlamento Europeu
Com o respaldo do Conselho, Ursula poderá viajar ao Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul desde dezembro de 2025, para assinar o tratado em cerimônia oficial. Para entrar em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Um comunicado publicado no site da Comissão Europeia (ec.europa.eu) destaca que, em cenários de tensões geopolíticas, o pacto demonstra a capacidade de Bruxelas de “traçar seu próprio curso” e manter-se como parceiro confiável.
Estados que se posicionaram contra
Apesar da maioria favorável, Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. O ministro polonês da Agricultura, Stefan Krajewski, confirmou a posição de seu país também pelo X. Ainda assim, a oposição não foi suficiente para bloquear o processo.
Impacto para a economia brasileira
No Brasil, autoridades e empresários celebraram a decisão. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o acordo crie um mercado conjunto avaliado em quase US$ 22 trilhões — o segundo maior PIB do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 29 trilhões) e à frente da China (US$ 19 trilhões). A agência projeta incremento potencial de US$ 7 bilhões nas vendas externas brasileiras para a UE.
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Setores beneficiados
Pelo texto aprovado, tarifas sobre máquinas, equipamentos de transporte, motores, geradores e aviões serão eliminadas imediatamente, reforçando áreas estratégicas para a indústria brasileira. Outros segmentos, como couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e determinados produtos químicos, terão reduções graduais de impostos até chegar a alíquotas zero. Diversas commodities agrícolas também entram na lista de desonerações, ainda que sujeitas a cotas.
Reconhecimento à liderança do Brasil
Ursula von der Leyen ressaltou a cooperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a presidência brasileira no Mercosul, entre julho e dezembro de 2025. A articulação brasileira foi vista como decisiva para destravar pontos sensíveis do texto e viabilizar o consenso alcançado pelos países europeus.
Resumo: o aval europeu abre caminho para a assinatura de um tratado aguardado há mais de duas décadas, capaz de reposicionar as cadeias produtivas de ambas as regiões e ampliar oportunidades de negócios. Continue acompanhando a cobertura de temas internacionais em nossa editoria de Internacional.
Crédito da imagem: Reuters/Stephanie Lecocq
Fonte: Reuters
