Mudanças em políticas e no fim de benefícios previstos para novembro podem elevar preços dos combustíveis e impactar IPCA e o orçamento doméstico. Veja o que muda e quem paga a conta.
O governo Lula está te enganando e criou um efeito em cascata que envolve empresas de combustíveis, transportadoras, consumidores e, no fim, todos os brasileiros. É preciso entender como os preços dos combustíveis, a política da Petrobras, as contas públicas e o orçamento doméstico podem ser afetados por medidas em vigor e pelo fim de benefícios previstos para novembro.
De acordo com a metodologia do IBGE, uma variação de 1% no preço dos combustíveis provoca um impacto direto estimado de 0,06 ponto percentual no IPCA. Acrescentando os efeitos indiretos sobre transporte, produção e distribuição — estimados em mais 0,02 ponto percentual —, o impacto total chega a 0,08 ponto percentual, tanto em aumentos quanto em reduções de preços. Esse efeito ganha mais relevância diante de uma inflação que permanece elevada: nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou 4,58%, acima da meta de 3% ao ano e do limite superior de tolerância de 4,5%.
Segundo dados da ANP para o Estado de São Paulo, o litro do etanol custa em média R$ 3,91; o da gasolina comum, R$ 6,34; e o do diesel, R$ 6,55. O governo federal está desonerando a gasolina em R$ 0,89 por litro e o etanol em R$ 0,19, além de conceder uma subvenção de R$ 1,40 por litro para diesel importado. Em uma conta simplificada, sem esses benefícios, os preços poderiam ser até 4,86% maiores para o etanol, 14,04% para a gasolina e 21,37% para o diesel. Parte dessa diferença corresponde a impostos não arrecadados e parte é coberta pelo orçamento público.
Reduzir preços no curto prazo pode aliviar o consumo, mas nem sempre é neutro para as contas públicas. As desonerações e subsídios anunciados já somam aproximadamente R$ 46,2 bilhões em custos fiscais. Parte desses recursos beneficia empresas do setor; no entanto, a conta final recai sobre os contribuintes, tenham carro ou não.
“Bondade” com prazo de validade
Naturalmente, diante de choques internacionais — como a guerra no Golfo Pérsico — subsidíos são adotados por vários países. Ainda assim, quando se compara com a média mundial, a gasolina custa aproximadamente 20% menos no Brasil e o diesel cerca de 15% a menos.
As atuais desonerações da gasolina e do etanol estão previstas para terminar em 9 de novembro, pouco depois do segundo turno das eleições. Não há garantia de aumento imediato nem de magnitude exata, mas o fim dos benefícios poderá trazer nova pressão sobre o bolso dos brasileiros.
Organizando os números: se os combustíveis subirem, em média, 17,5%, o impacto estimado sobre a inflação poderá chegar a 1,4 ponto percentual, considerando efeitos diretos e indiretos. Parte dessas despesas não estava prevista no orçamento original e poderá pressionar ainda mais a dívida pública. Enquanto isso, empresas do setor aparecem entre as beneficiadas por medidas que são financiadas pelo erário.
Diante desse cenário e dos riscos associados ao término das desonerações, cabe ao eleitor refletir: quem você quer que assuma o governo em janeiro de 2027 — quem criou o mecanismo atual ou quem terá condição de lidar com suas consequências?
