Baleia Rossi telefonou a dirigentes, prefeitos e parlamentares do MDB para um ato no QG da campanha de Tarcísio em São Paulo. Cerca de 300 emedebistas se reuniram para registrar apoio à candidatura.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, telefonou pessoalmente para presidentes regionais do partido, prefeitos, deputados, senadores e outras autoridades da sigla para convidá-los para um ato de apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O evento ocorreu no QG da campanha à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e reuniu cerca de 300 pessoas na terça-feira (13).
A mobilização teve um objetivo simbólico: reunir um número expressivo de emedebistas para produzir uma fotografia capaz de demonstrar força e apoio à candidatura de Flávio. Diversos convidados relataram que foram convocados para comparecer ao ato por iniciativa de Baleia.
“convocados”
Foi a primeira vez que uma ala majoritária do MDB, formada por 17 diretórios estaduais, declarou apoio a um candidato à Presidência. Historicamente marcada pela neutralidade em disputas presidenciais, a legenda passou a expor de forma mais visível suas divisões internas nessa eleição.
O apoio a Flávio e a organização de um grande ato para sinalizar adesão foram articulados por Tarcísio de Freitas e pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Entre emedebistas presentes, houve quem considerasse o movimento importante para definir o posicionamento da legenda na disputa presidencial.
Parte do partido avaliou que a ausência de uma posição clara poderia provocar uma crise interna, diante da pressão de diferentes grupos por um alinhamento eleitoral. A mobilização em torno de Flávio foi, portanto, interpretada por alguns como uma tentativa de antecipar decisões e conter fragmentações.
A divisão do MDB ficou evidente no mesmo dia do evento: uma ala favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), formada por diretórios do Norte e do Nordeste, divulgou uma nota em apoio ao petista. O documento foi assinado por dez diretórios estaduais, evidenciando que, apesar da mobilização em São Paulo, o MDB segue dividido sobre a disputa presidencial.
O episódio mostra a tentativa de parte da direção nacional de consolidar um palanque mais claro para Flávio Bolsonaro, enquanto outra parcela da legenda mantém posição distinta. A movimentação reforça a leitura de que o MDB enfrenta, neste momento, tensão entre estratégias regionais e a definição de uma orientação unificada para as eleições presidenciais.
