Glauber Braga é retirado à força do plenário da Câmara
Glauber Braga é retirado à força do plenário Ulysses Guimarães depois de ocupar a cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados, na tarde de 9 de dezembro, em protesto contra a inclusão de seu processo de cassação na pauta.
Protesto terminou com ação da Polícia Legislativa
A intervenção começou logo após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que levaria ao plenário os pedidos de cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ). Menos de uma hora depois, agentes da Polícia Legislativa Federal arrancaram Braga da cadeira da presidência e o conduziram ao Salão Verde, com parte das roupas rasgadas, sob protestos de parlamentares aliados.
Braga, que responde por agressão contra um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) em 2024, acusou Motta de “dois pesos e duas medidas”. Ele lembrou que, em agosto, deputados da oposição ficaram 48 horas bloqueando a Mesa Diretora sem sofrer retirada compulsória. “Com os golpistas sobrou docilidade; comigo é porrada”, declarou.
Cassação e anistia em pauta
O deputado fluminense poderá perder o mandato por até oito anos de inelegibilidade. Ao lado de governistas, ele afirmou que a votação, marcada para 10 de dezembro, faz parte de uma “ofensiva golpista” que pretende também anistiar investigados pela tentativa de ruptura institucional. “Hoje fazem comigo; amanhã farão com outras forças populares”, disse.
Hugo Motta rebateu em nota publicada na rede social X, alegando que Braga desrespeitou o funcionamento da Câmara “de forma reincidente”. O parlamentar paraibano comparou a conduta do psolista ao “extremismo que tanto critica” e determinou abertura de apuração sobre o corte do sinal da TV Câmara, interrompido no momento da confusão.
Transmissão interrompida e imprensa afastada
O sinal da TV Câmara, que exibia a sessão ao vivo, foi suspenso assim que Braga sentou-se à mesa diretora. Jornalistas presentes no plenário foram convidados a se retirar, e somente gravações feitas por deputados revelaram o instante da retirada forçada. Até o fechamento deste texto não havia confirmação oficial de quem ordenou a interrupção.
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Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a última vez que um deputado foi removido fisicamente do plenário ocorreu em 2016, durante debates sobre o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, sinalizando a gravidade do episódio atual.
No Salão Verde, Braga reafirmou que lutará “até o último minuto” para manter o mandato e preservar “as liberdades democráticas”. Ele classificou a futura votação da anistia aos envolvidos em atos golpistas como tentativa de reduzir a eventual punição de Jair Bolsonaro para dois anos e preservar os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro.
Já Motta defendeu que “a democracia precisa ser protegida do grito e da intimidação travestida de ato político” e criticou o que chamou de “gesto autoritário” do psolista.
O desfecho da sessão desta quarta-feira (10 de dezembro) poderá redefinir o futuro político de Glauber Braga e influenciar o debate sobre punições a parlamentares investigados por condutas antidemocráticas.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
