O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou que mantém uma relação próxima com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Em uma entrevista recente, Wagner declarou que o empresário se considera amigo dele e ressaltou que essa amizade não está relacionada com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master.
Segundo o senador, ele conheceu Augusto Lima durante o processo de privatização do programa Cesta do Povo na Bahia, e essa relação se fortaleceu ao longo dos anos. Wagner negou que haja qualquer troca de favores ou vínculos comerciais entre eles. Ele afirmou:
“Conheci Augusto Lima no processo de privatização [da Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Ele se considera meu amigo. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa.”
O senador foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o sistema de crédito consignado Credcesta, que foi implementado na Bahia durante sua gestão como governador.
Wagner também expressou sua insatisfação com a atuação da Polícia Federal, a qual classificou de
“patacoada”
. Ele mencionou que reclamou ao presidente Lula sobre a forma como a PF conduziu a operação, incluindo a divulgação de fotos de moedas estrangeiras apreendidas em seu apartamento durante a ação. Durante a operação, foram apreendidos US$ 49 mil em um quarto de hotel utilizado pelo senador. Wagner criticou a forma como a PF expôs o dinheiro, alegando que isso desrespeitou uma ordem de sigilo determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
“Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele [Lula] que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”, afirmou.
A decisão de deixar a liderança do governo no Senado foi tomada após uma reunião com Lula, onde o presidente questionou se Wagner teria condições de conciliar sua defesa jurídica com as responsabilidades no Senado. O parlamentar optou por se afastar para focar em sua defesa e nas articulações políticas para as eleições de 2026 na Bahia.
“Ele [Lula] disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, explicou Wagner.
Após a saída de Wagner, Lula designou a senadora Teresa Leitão (PT-CE) como nova líder do governo no Senado, com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos importantes para a população brasileira.
