Violência contra mulheres negras: Cármen Lúcia alerta
Violência contra mulheres negras: Cármen Lúcia alerta que o Brasil enfrenta um quadro “gravíssimo” de agressões a mulheres, sobretudo negras, durante a abertura do seminário “Democracia: Substantivo Feminino”, realizada em 24 de novembro, em Brasília.
Mulheres negras são as maiores vítimas
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia enfatizou que todas as mulheres brasileiras sofrem algum tipo de violência, mas as negras, em situação de vulnerabilidade econômica, concentram os piores índices. A magistrada relacionou a data ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, quando se iniciaram 21 dias de mobilização nacional contra a violência de gênero e racial.
Constituição garante igualdade, mas prática revela disparidades
Citando o Artigo 5.º da Constituição, a ministra lembrou que a lei assegura igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. No entanto, persistem desigualdades que resultam em uma mulher assassinada a cada seis horas no país. Para ela, esse cenário “não é civilizatório” nem humano. Durante o encontro, Cármen Lúcia declarou que o poder pertence ao povo e, como as mulheres compõem a maioria da população, devem protagonizar a formulação de políticas públicas.
Convocação para ações conjuntas
A ministra afirmou que a palavra agora “cabe às mulheres” para propor soluções e mobilizar aliados. Ela defendeu a construção de uma sociedade onde homens e mulheres tenham dignidade igualitária e conclamou autoridades, movimentos sociais e cidadãos a trabalharem lado a lado.
Contexto internacional reforça a urgência
A fala ocorreu na véspera do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo informações da própria ONU, os 16 dias de ativismo global visam pressionar governos a adotar medidas efetivas para erradicar agressões de gênero.
Ao encerrar, Cármen Lúcia recordou a lição de um antigo professor: “Alguns humanos podem negar a própria essência e matar uma mulher fisicamente, psicologicamente ou economicamente, permanecendo impunes”. Para ela, combater essa realidade é dever de todos os defensores da democracia.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
