Combustíveis fósseis: Lula pede debate amplo no G20
Combustíveis fósseis: Lula pede debate amplo no G20 foi a principal mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida em 23 de novembro de 2025, em Joanesburgo, após a Cúpula de Líderes do G20.
Combustíveis fósseis: Lula pede debate amplo no G20
Lula defendeu que o fim do uso de combustíveis fósseis seja fruto de um “mapa do caminho” construído com participação de governos, especialistas e companhias de petróleo, não por uma data imposta unilateralmente. O posicionamento reflete as negociações da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), cujo documento final — o Acordo de Belém — deixou de citar diretamente petróleo e carvão.
Ao comentar o tema, o presidente lembrou que o Brasil extrai cerca de 5 milhões de barris por dia e, portanto, também precisa participar da transição energética. Segundo ele, parte dos recursos do pré-sal deve financiar fontes renováveis e biocombustíveis, setor no qual o país “já dá lição” com a mistura de biodiesel em gasolina e diesel.
Negociações e multilateralismo
Durante a COP30, a delegação brasileira tentou incluir um cronograma de redução de combustíveis fósseis no texto principal, mas aceitou transferir o assunto para um anexo proposto pelo país anfitrião para preservar o consenso. Lula classificou o resultado como “vitória do multilateralismo”.
No G20, o líder brasileiro também defendeu que o fórum avance de declarações para ações concretas antes da próxima cúpula. Apesar da ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os 19 demais membros aprovaram por unanimidade a declaração de líderes.
Para contextualizar a importância do tema, a Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que o setor de combustíveis fósseis responde por mais de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa. A entidade recomenda corte acelerado dessas fontes para limitar o aquecimento do planeta.
Preocupação com segurança regional
Lula sinalizou que pretende discutir com Trump o envio recente de tropas norte-americanas ao Mar do Caribe, próximo à Venezuela. O presidente brasileiro reiterou a defesa de uma América do Sul como “zona de paz” e comparou o risco de conflito a impasses observados na guerra entre Rússia e Ucrânia.
Em meio às agendas internacionais, Lula reforçou que o Brasil tem responsabilidade regional e destacou a necessidade de evitar escaladas militares que possam comprometer a estabilidade sul-americana.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
