Em conversa com o então diretor comercial do Banco Master, Vorcaro confirmou ligação ao Executivo; mensagens vazadas circulam entre autoridades. A reação ocorreu após vídeo de Tiago Pavinatto que o vinculou ao Planalto.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro admitiu sua “proximidade” com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma conversa com Fernando de Goes Mascarenhas Filho, então diretor comercial do Banco Master. Mensagens sobre o diálogo perderam o sigilo e passaram a circular entre autoridades e partes interessadas.
Segundo o conteúdo das mensagens, a reação de Vorcaro ocorreu depois da divulgação de um vídeo do apresentador Tiago Pavinatto, exibido no programa Faroeste à Brasileira em 12 de julho de 2024, no qual Pavinatto vinculou o banqueiro ao governo Lula. O então diretor comercial sugeriu notificar o conteúdo; Vorcaro, por sua vez, descartou a ideia de notificação e relativizou a repercussão.
“Cara. Não sei não. Falaram nada demais. Mais do mesmo. Não pode dar palco para esse tipo de blog sem expressão nenhuma”,
No mesmo trecho, Vorcaro comparou sua relação com o governo à ligação atribuída aos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, e admitiu que tal proximidade era verdadeira, segundo o diálogo registrado.
“A única coisa que falaram é que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade (risos).”
O ex-banqueiro também tentou transformar a menção à proximidade com o poder em uma estratégia de divulgação. Nas mensagens, ele sugeriu enviar o vídeo para o próprio presidente e para aliados como forma de capitalizar politicamente a exposição.
“Isso aí é marketing para nós”,
“Manda pro Lula e pra base aliada.”
Em resposta, Mascarenhas Filho afirmou que levaria o material a outras lideranças. Segundo o registro das conversas, ele disse que encaminharia o vídeo a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que à época exercia a função de líder do governo Lula no Senado.
O sigilo dos documentos com a conversa foi derrubado por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. As mensagens passaram, então, a integrar processos e investigações em curso, ampliando o interesse público sobre a relação entre executivos do setor financeiro e integrantes do governo.
O episódio reacende o debate sobre influência e aproximação entre empresários e políticos, ao mesmo tempo em que levanta questões sobre estratégia de imagem e reação a críticas públicas. Os diálogos, preservados em sua forma original nas mensagens divulgadas, foram decisivos para que o tema ganhasse visibilidade institucional.

