E-mails da Coordenação Naval dos EUA orientam operadores: evitar navegação noturna e aceitar só duas janelas diárias de cobertura. A medida ocorre em meio a novas tensões na região.
Em meio a novas tensões na região, os Estados Unidos reduziram o período de proteção aérea oferecido a petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz, segundo reportagem divulgada neste sábado (12).
A reportagem teve acesso a uma troca de e-mails entre a equipe de Coordenação e Orientação Naval para Navegação dos EUA e consultores marítimos. Nessas mensagens, foram apresentadas recomendações operacionais para os operadores de navios que seguem pela rota, entre as quais se destacaram a orientação para não navegar durante a noite e a limitação a dois horários de proteção por dia.
“Agora estamos fornecendo horários de trânsito recomendados que variam de acordo com o dia. Sua embarcação não precisa viajar nesses horários, mas é recomendável para receber o melhor suporte”
A mensagem acima constava em um dos e-mails citados na reportagem. Em outra orientação enviada aos operadores, o horário das 9 horas da manhã foi mencionado como exemplo de janela de trânsito recomendada.
Segundo o material obtido, a prática de muitas embarcações desde o início da escalada de tensão era navegar durante a noite, com GPS e luzes desligadas. Sobre esse comportamento, um dos e-mails afirmava que a travessia noturna não demonstrou ser o período mais seguro do dia.
“A travessia durante o período de escuridão não se mostrou o horário mais seguro do dia”
As orientações internas, conforme a reportagem, indicaram a adoção de janelas de trânsito específicas para tentar concentrar o apoio aéreo e naval em momentos determinados, em vez de oferecer cobertura contínua. A limitação a dois horários de proteção por dia passou a constar entre as recomendações enviadas aos operadores marítimos.
A medida foi anunciada no contexto de confrontos recentes na região: o Irã confirmou que realizou um ataque a dois navios americanos e oito petroleiros, em resposta a ataques americanos contra cinco petroleiros iranianos. Esses episódios intensificaram as preocupações sobre a segurança das rotas comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz, corredor crucial para o transporte de petróleo.
O conteúdo das trocas de e-mail e as recomendações operacionais foram detalhados na reportagem divulgada neste sábado (12), que trouxe os trechos citados e as orientações encaminhadas a operadores de navios quanto aos horários e às práticas de navegação a adotar na região.
