Na segunda (7), a Paulista reuniu militantes do senador Flávio Bolsonaro que criticaram o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. O ato também demonstrou apoio a André Mendonça após divulgação de mensagens.
A Avenida Paulista foi tomada na segunda-feira (7) por apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A manifestação foi marcada por críticas ao presidente Lula (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de atos em defesa do ministro André Mendonça.
O protesto havia sido convocado pelo PL antes de a crise entre Moraes e Mendonça ganhar força na última semana. A divulgação de mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por determinação de Mendonça, elevou o protagonismo do STF nas pautas do ato.
A defesa de Mendonça e os pedidos de afastamento de Moraes passaram a ocupar boa parte dos discursos e dos cartazes levados à avenida. Cartazes com frases como “Fora Lula” e “Xandão no Xadrez” circularam pelo local.
O tamanho do público, porém, foi menor do que nos dois anos anteriores. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político – USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common, 28,5 mil pessoas estavam no local no momento de maior concentração. Em 2025, o mesmo levantamento havia estimado 42,2 mil pessoas na Paulista. Em 2024, foram 45,4 mil.
Com margem de erro de 12%, isso significa que, na segunda-feira, havia entre 25,1 mil e 32 mil participantes às 16h32, horário de pico. A contagem foi feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.
A redução no público ocorreu justamente em um momento de maior exposição política do senador Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar a candidatura à Presidência e aparece nas pesquisas em disputa acirrada com Lula em um eventual segundo turno. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira mostrou empate completo entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um.
Desde o início da tarde, os discursos no trio elétrico em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) tiveram Moraes como um dos principais alvos. Também houve manifestações de apoio a Mendonça, que determinou a divulgação das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos citavam Moraes e a relação do banqueiro com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
A divulgação das mensagens abriu uma crise dentro do STF. Após o caso ser levado ao ministro Fachin, Moraes encaminhou ao presidente da Corte um pedido de investigação contra o colega, com acusações sobre possível irregularidade na condução de processos relacionados ao Banco Master e ao caso do INSS. Fachin passou a conduzir os procedimentos e deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, apresentassem manifestações.
Flávio foi o último a falar no trio elétrico e apresentou propostas para segurança pública, além de defender pautas conservadoras. Entre as propostas, o candidato prometeu reduzir a maioridade penal, aumentar penas para crimes como roubo de celulares e classificar facções como PCC e Comando Vermelho (CV) e grupos milicianos como terroristas. A anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro também esteve entre os pontos centrais do discurso; Bolsonaro está preso após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
“Fora Lula e fora Moraes”
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também falou sobre o Supremo. Sem pedir diretamente a saída de Moraes, defendeu que todos os agentes públicos estejam submetidos à Constituição e ressaltou a importância de eleger uma maioria de direita para o Senado, responsável por processar eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF.
Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia adotaram discurso mais duro. Nikolas pediu o impeachment de Moraes. Malafaia chamou o ministro de “ditador da toga” e pediu seu afastamento.
“ditador da toga”
Outro elemento que chamou atenção na Paulista foi a presença de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, um boneco gigante de Donald Trump e bonés com referências ao presidente americano entre os manifestantes. Havia cartazes em inglês pedindo que Trump acompanhasse as eleições brasileiras, mas Trump não foi citado pelos principais políticos que discursaram.
Na manifestação, a campanha concentrou o discurso em Lula, Moraes, segurança pública, anistia a Bolsonaro e composição do STF. O próprio Flávio não citou Daniel Vorcaro durante o ato, apesar de a relação entre o senador e o dono do Banco Master ter sido exposta nos últimos meses.
