O PP decidiu permanecer neutro nas eleições de 2026 e deve barrar a entrada de Tereza Cristina na chapa de Flávio Bolsonaro. A insatisfação de Ciro Nogueira com o Caso Master pesou na decisão.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República enfrenta um desafio significativo no que diz respeito ao apoio do Progressistas (PP). Desde o anúncio de sua candidatura, Flávio buscou alianças com diversos partidos do Centrão, especialmente com o PP e o União Brasil, que estão federados. No entanto, os líderes do PP, sob a liderança de Ciro Nogueira, já indicavam sua intenção de permanecer neutros nas eleições de 2026.
Um dos fatores que pesou na decisão do PP foi a insatisfação de Ciro Nogueira em relação a Flávio Bolsonaro no Caso Master, onde o senador sentiu que não recebeu o apoio necessário do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, alguns membros das bancadas regionais do partido expressaram a vontade de se manter livres para apoiar outras candidaturas, incluindo a do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em determinadas regiões.
Nesta semana, uma onda de pressão surgiu sobre Ciro Nogueira para que o PP apoiasse a candidatura de Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos que tentaram viabilizar a aliança, sugerindo o nome da ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP), para a vaga de vice na chapa de Flávio. Contudo, a possibilidade foi considerada remota entre os integrantes do PP.
Tereza Cristina foi vista como uma boa opção para vice, já que representa o setor agropecuário e é considerada uma figura mais moderada. No entanto, mesmo com as pressões, Ciro Nogueira decidiu manter a neutralidade do partido. Na sexta-feira, 31, o PP confirmou que não apoiaria Flávio Bolsonaro e a senadora Tereza Cristina acatou essa decisão, inviabilizando sua indicação como vice-presidente.
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“O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralidade no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina, nossa líder no Senado Federal”, informou o partido.
Em resposta à decisão do PP, Flávio Bolsonaro declarou respeito pela escolha do partido. “Fiquei muito honrado quando ela aceitou o convite para caminhar conosco na qualidade de candidata a vice-presidente e, por questões internas do Progressistas, vimos essa nota dizendo sobre a neutralidade do partido”, disse Flávio.
Questionado sobre a possibilidade de tentar reverter a decisão do PP, Flávio afirmou que continuará buscando um entendimento. “Essa nota deixou bem claro que o partido tinha decidido, por maioria, pela neutralidade. Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Vamos continuar nas conversas”, afirmou.
Com a saída de Tereza Cristina da disputa, novos nomes começaram a surgir para a chapa. Entre eles, estão Pedro Lupion, do Republicanos-PR, atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que atualmente é pré-candidato ao Senado. O nome de Lupion ganhou força nos últimos dias, especialmente por já ter uma boa relação com a bancada ruralista no Congresso.
De acordo com pessoas próximas a Flávio, o novo desafio será convencer Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a liberar um de seus integrantes para compor a chapa.
