Na última terça-feira, Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, foi questionado sobre Flávio Bolsonaro durante uma conferência com jornalistas. Sua resposta foi direta e sem ambiguidades:
“Ele participou de uma audiência pública, em conformidade com as leis e regulamentos que regem as investigações conduzidas sob a Seção 301. No entanto, não houve nenhuma reunião entre mim ou membros da equipe do USTR e o senhor Bolsonaro.”
Esse pronunciamento deixou claro o recado da administração americana, especialmente em um momento em que foi anunciada a tarifa de 25% que afetará produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho. O governo dos Estados Unidos buscou desfazer qualquer narrativa que pudesse associar a medida a uma suposta articulação política com a oposição bolsonarista.
Por outro lado, o tratamento dado ao governo atual do Brasil foi muito mais duro e repleto de frustrações. Greer não hesitou em criticar a situação política e econômica do país, acusando tribunais brasileiros de atuarem como instrumentos de censura ao obrigar empresas de tecnologia dos EUA a remover conteúdos políticos e contas, incluindo a de um ex-presidente, sob ordens sigilosas.
Além disso, mencionou multas diárias consideradas abusivas e ameaças de fechamento de operações, ressaltando o favorecimento ao sistema de pagamentos Pix, que é operado pelo Banco Central e que, segundo Greer, cria desvantagens competitivas para as empresas americanas.
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O representante também citou as tarifas preferenciais concedidas a países como Índia e México, e ressaltou a insuficiente aplicação das leis anticorrupção, com o Brasil obtendo apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção de 2025. No entanto, o aspecto mais preocupante para o governo brasileiro foi a crítica às negociações. Greer afirmou: “Fizemos diversas ofertas e apresentamos várias propostas, mas não obtivemos uma resposta satisfatória”.
Embora tenha reconhecido algum progresso nas últimas semanas, a irritação com o que considera um padrão brasileiro de promessas genéricas foi evidente. Para ele, declarações como “nada está fora da mesa” ou “estamos dispostos a discutir todos os temas” não representam concessões efetivas.
Assim, enquanto o governo Lula enfrenta cobranças severas pela falta de resultados concretos, o nome de Bolsonaro foi tratado como irrelevante nas atuais discussões. Essa separação tem um significado político importante, pois Washington deixa claro que a tarifa não é uma questão de preferências ideológicas, mas sim de interesses comerciais.
A mensagem implícita é clara: o tempo está passando. Embora a porta para novas negociações ainda esteja aberta, a paciência americana tem seus limites. A tarifa de 25% já tem data marcada, e, por ora, não carrega a assinatura do ex-presidente Bolsonaro.
Resta saber se o governo brasileiro entenderá a seriedade da situação ou se transformará essa questão comercial em mais um capítulo da guerra cultural interna.
