A Justiça da Espanha ordenou que Begoña Gómez, mulher do premier Pedro Sánchez, enfrente julgamento por corrupção. Ela foi proibida de deixar o país e deve entregar o passaporte.
A Justiça da Espanha determinou que Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez, responda a julgamento por crimes de corrupção. A decisão foi divulgada neste sábado, 20 de junho de 2026, e impede que ela deixe o país até que o processo seja concluído.
O juiz Juan Carlos Peinado ordenou que Gómez entregue seu passaporte e que se apresente às autoridades duas vezes por mês. Além disso, foi emitido um alerta para postos de fronteira e aeroportos civis e militares, visando garantir o cumprimento dessas medidas.
Begoña, formada em marketing, não ocupa nenhum cargo público. O caso investiga sua atuação em uma cátedra da Universidade Complutense de Madri, que ela codirigia. A apuração aponta que a estrutura acadêmica teria sido utilizada para promover interesses privados, utilizando recursos públicos e contatos pessoais.
Em abril, o juiz aceitou formalmente acusações contra Gómez por peculato, tráfico de influência, corrupção e apropriação indébita de recursos. Segundo o magistrado, a cátedra funcionou como um instrumento de desenvolvimento profissional privado para a investigada.
Essa investigação aumenta a pressão sobre o governo de Sánchez, que enfrenta uma série de problemas judiciais envolvendo pessoas próximas. O caso teve início em abril de 2024, após uma denúncia feita por um grupo anticorrupção.
Tanto Pedro Sánchez quanto Begoña Gómez negam qualquer irregularidade e afirmam que as acusações fazem parte de uma campanha política promovida por adversários com o intuito de enfraquecer o governo. O primeiro-ministro considera que as investigações visam desestabilizar sua administração.
A decisão judicial representa mais um revés para o líder socialista, que já lida com outras questões legais envolvendo aliados. Recentemente, também surgiram investigações relacionadas ao ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, uma figura histórica da esquerda espanhola e aliado de Sánchez.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) manifestou apoio a Gómez nas redes sociais, considerando-a inocente e caracterizando o processo como uma perseguição judicial e política. Até o momento, a Justiça não definiu a data do julgamento.

