Ex-presidente enviou documento de mais de cem páginas a todos os pré-candidatos ao Planalto. Iniciativa busca elevar o nível do debate eleitoral com foco em programas de governo.
O ex-presidente Michel Temer divulgou nesta sexta-feira, 19, o documento intitulado “Estrada para o Futuro”, que reúne um conjunto de propostas elaboradas em cooperação com especialistas de diversas áreas. O material foi criado como uma referência para os pré-candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.
Com mais de cem páginas, a equipe de Temer enviou o relatório a todos os nomes que estão na corrida pelo Palácio do Planalto. Durante a apresentação do documento, o ex-presidente enfatizou que a iniciativa busca estimular um debate eleitoral centrado em programas de governo, ao invés de disputas pessoais. Ele acredita que isso pode contribuir para que a campanha seja marcada pelo confronto de ideias e projetos.
“Essa é uma sugestão àqueles que desejam governar o Brasil. É uma colaboração que desejo dar como fruto de mais de trinta e dois anos de vida pública”, afirmou o ex-presidente.
Nas primeiras páginas do relatório, Temer critica o atual ambiente de acirramento político e defende que as campanhas eleitorais não devem ser conduzidas por agressões, sejam verbais ou físicas. Embora reconheça que a polarização é um aspecto legítimo em uma democracia, ele argumenta que a radicalização prejudica o debate público.
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Entre as principais sugestões apresentadas, Temer propõe que o futuro presidente convoque, nos dez primeiros dias de mandato, representantes dos Três Poderes, da oposição e da sociedade civil para firmar um “Pacto Republicano”. O objetivo é promover a pacificação institucional e impulsionar o desenvolvimento econômico do país.
O documento também estabelece diretrizes voltadas à responsabilidade fiscal e à organização do Estado. Entre as propostas, estão a preservação da harmonia entre os Poderes, a adoção de reformas graduais, como a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, a manutenção de um teto orçamentário para garantir a disciplina fiscal e a despolitização do debate ambiental.
No que diz respeito à segurança pública, o texto propõe a recriação do Ministério da Segurança Pública, que coordena o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), além da criação de uma Agência Nacional de Combate ao Crime Organizado, com foco no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas.
Outra medida sugerida é a substituição da Força Nacional por uma Guarda Nacional permanente e estruturada, que absorveria a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Quanto ao agronegócio, Temer defende que o Brasil deve encontrar um equilíbrio entre produção e preservação ambiental, afirmando que o país deve liderar o mundo nesse aspecto.
Além de Michel Temer, o documento conta com a assinatura de especialistas e personalidades, como o sociólogo José Pastore, o advogado e ex-deputado Gabriel Chalita, e os ex-ministros Nelson Jobim, Blairo Maggi e Moreira Franco.




