Washington mira o governo cubano com novas sanções e reforço militar no Caribe. Autoridades e empresas estatais estão na mira do republicano desde seu retorno à Casa Branca.
Cuba se tornou um tema prioritário no segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump. Desde que reassumiu a Presidência, o republicano tem apresentado diversas acusações contra integrantes do governo cubano, além de ter imposto novas sanções contra autoridades, empresas estatais do setor de petróleo e organizações ligadas às Forças Armadas da ilha.
O governo dos Estados Unidos também intensificou operações militares e de Inteligência na região do Caribe. Dentro desse esforço, o comandante do Comando Sul, general Francis Donovan, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, realizaram visitas à Base Naval de Guantánamo.
Washington considera que Cuba representa um risco direto aos seus interesses. O secretário de Estado, Marco Rubio, cita a crise humanitária na ilha, a presença de instalações de Inteligência de países adversários, supostas ligações com organizações terroristas e o avanço da capacidade cubana de operar drones como fatores que configuram ameaças à segurança nacional dos EUA.
Diante desse cenário, quatro possibilidades começam a ganhar destaque nas discussões sobre como os EUA poderão agir: intervenção humanitária, ação coercitiva limitada, ruptura interna do regime cubano ou negociações.
“Hoje, o maior desafio enfrentado por Cuba é a crise provocada pela falta de combustível, os apagões frequentes, a infraestrutura precária, as dificuldades no sistema de saúde e a crescente escassez de alimentos,” afirmou um especialista em política internacional.
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Com a perspectiva de agravamento dessas condições e a possibilidade de eventos climáticos extremos durante o verão, Washington poderia justificar uma atuação voltada à assistência humanitária, sem assumir oficialmente o objetivo de promover uma mudança de regime. Essa intervenção dependeria de uma crise de grandes proporções que comprometesse a capacidade de resposta do governo cubano.
Entre os fatores que poderiam desencadear essa situação estão apagões nacionais prolongados, agravamento da crise sanitária, desabastecimento ou manifestações generalizadas. Nesse caso, os EUA tenderiam a coordenar ações com organismos internacionais, entidades religiosas e organizações não governamentais para fornecer ajuda médica e humanitária, enquanto as Forças Armadas norte-americanas dariam suporte logístico e de segurança.
Embora essa alternativa possa aliviar o sofrimento da população e reduzir a pressão migratória sem exigir uma intervenção militar convencional, também apresenta riscos. Havana poderia denunciar a iniciativa norte-americana como violação de sua soberania, o que estimularia reações nacionalistas na ilha.
Um segundo cenário prevê uma ação coercitiva direcionada, por meio de operações militares ou policiais de alcance limitado. O objetivo seria aumentar os custos para a liderança cubana, atingindo estruturas consideradas estratégicas, sem recorrer à ocupação de território ou a uma invasão convencional.
A recente acusação formal contra Raúl Castro e outros integrantes da cúpula cubana pode criar uma base jurídica para justificar operações semelhantes às realizadas contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Uma terceira possibilidade é que o aumento da pressão externa provoque divisões dentro do próprio regime cubano, enfraquecendo gradualmente a unidade das elites políticas e militares por meio de sanções, pressão econômica e diplomacia pública.
Por fim, o quarto cenário considera a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Havana e Washington, embora experiências anteriores sugiram que nem mesmo uma pressão intensa garante concessões significativas por parte do governo cubano.

