Ataque com ransomware LockBit apagou arquivos sigilosos da Secretaria de Saúde de Mato Grosso, incluindo documentos investigados pela CPI da Saúde. Caso corre em sigilo policial.
Um ataque hacker ocorrido em março deste ano resultou na destruição de aproximadamente 200 terabytes de arquivos da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT). O caso está sob investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e segue em sigilo.
Documentos obtidos indicam que entre os arquivos afetados estavam relatórios, auditorias, planilhas e documentos relevantes para investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Os criminosos utilizaram o ransomware LockBit e exigiram um pagamento de US$ 500 mil em bitcoin para liberar os dados. Apesar de não receberem o valor, os hackers não divulgaram o conteúdo sequestrado.
A investigação revelou que apenas a estrutura dos arquivos foi publicada na deep web. Essa lista inclui documentos relacionados a empresas que estão sob investigação na Operação Espelho, como LGI Médicos, Bone Medicina Especializada e Intensive Care. Além disso, registros do Hospital Regional de Cáceres, que é alvo da Operação Panaceia, também foram afetados. Essa operação investiga supostas fraudes em contratos firmados durante a pandemia.
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“Um médico relatou circunstâncias da entrada de um sócio na empresa depois de um procedimento realizado na esposa do ex-governador Mauro Mendes”, afirmam as investigações.
Os investigadores também estão analisando uma medida adotada pela SES dois meses antes do ataque, quando servidores foram notificados sobre uma reorganização dos arquivos compartilhados na rede, que ficariam disponíveis apenas em pastas específicas. Outro ponto que chamou a atenção é que o ataque ocorreu em um período em que os sistemas de proteção da rede estadual estavam sem contrato ativo, após a suspensão de uma licitação pela Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação.
A SES-MT, por sua vez, informou que registrou um boletim de ocorrência e notificou a Agência Nacional de Proteção de Dados sobre o incidente. Em nota, a secretaria negou que auditorias tenham causado a indisponibilidade dos documentos e afirmou que os dados afetados foram recuperados por mecanismos de contingência e redundância, garantindo que as atividades da CPI não foram prejudicadas.
A secretaria também declarou que não houve pagamento aos hackers e que não existem provas que liguem o ex-secretário Gilberto Figueiredo ou o atual secretário Juliano Melo ao ocorrido.

