A presidente mexicana disparou críticas contra setores do governo americano por suposta interferência nos assuntos internos do país. Ela afirma que ações de desinformação visam influenciar as eleições de 2027.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez duras críticas a setores do governo dos Estados Unidos, acusando-os de tentarem interferir nos assuntos internos do México por meio de campanhas midiáticas e desinformação. Durante um discurso que celebrou os dois anos de seu mandato, Sheinbaum sugeriu que o objetivo dessas ações seria influenciar as eleições de 2027, que vão renovar a Câmara mexicana e os governos estaduais.
“Mas essa luta não pode servir de desculpa para enfraquecer princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e o respeito pela autodeterminação dos povos”, destacou a presidente.
A dirigente também se lembrou de episódios anteriores que evidenciam essa tensão, como a declaração do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro, quando cogitou atacar o México “por terra” para combater os cartéis de drogas. Em março, o secretário de Estado, Marco Rúbio, ameaçou agir unilateralmente na América Latina, usando a mesma justificativa.
“Eu não acredito que o presidente Trump esteja por trás dessas ingerências, mas sim setores do governo da Casa Branca, em parceria com grupos conservadores dentro do México”, afirmou Sheinbaum em coletiva de imprensa.
A presidente também mencionou a morte de dois agentes da CIA em um acidente de carro no estado de Chihuahua, que estavam no México sem autorização. “Nenhum agente estrangeiro pode desempenhar funções que sejam de responsabilidade exclusiva das autoridades mexicanas. Qualquer pessoa que venha ao nosso país deve fazê-lo com respeito à nossa soberania”, enfatizou.
Outra questão levantada por Sheinbaum foi o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar dez mexicanos, incluindo um governador, um prefeito e um senador, sem apresentar provas. “Um evento desta magnitude é inédito na história de nossa relação bilateral”, criticou a presidente, questionando os verdadeiros interesses de Washington.
“Cooperação não significa subordinação, e colaboração não significa submissão. A história do México nos ensinou que nenhum povo mantém sua liberdade se permitir que interesses estrangeiros decidam seu destino”, concluiu.
Sheinbaum reiterou o compromisso do governo mexicano no combate à corrupção e ao narcotráfico, destacando a queda de 49% nos homicídios dolosos em seus 20 meses de governo.
