Sequestros quase triplicaram no país sob gestão de Gustavo Petro, transformando a segurança no eixo central das eleições. Crise humanitária é a pior em dez anos, aponta Cruz Vermelha.
As eleições presidenciais na Colômbia, realizadas no último domingo, 31 de maio, foram fortemente influenciadas pela escalada da violência no país. Sob a gestão de Gustavo Petro, os sequestros quase triplicaram, transformando a segurança pública no tema central da disputa eleitoral. O plano governamental de ‘paz total’ foi amplamente criticado, levando a uma grave crise humanitária, a pior dos últimos dez anos, conforme apontam dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
O clima de medo em relação a atentados forçou os principais candidatos a intensificarem a segurança pessoal. Iván Cepeda, líder nas pesquisas, realizou comícios cercado por seguranças com escudos blindados. Seu adversário de direita, Abelardo de la Espriella, também discursou sob proteção de vidros balísticos. A senadora Paloma Valencia, assim como outros concorrentes, acionou escoltas reforçadas após receber ameaças de morte de grupos guerrilheiros.
Uma pesquisa do instituto Invamer revelou que 40% dos colombianos consideram a criminalidade como o principal problema do país, deixando a economia em quarto lugar, com apenas 11% das menções. Essa escalada da violência urbana e rural tem impulsionado os discursos da oposição conservadora. O candidato De la Espriella prometeu suspender os diálogos com criminosos, construir dez megaprisões inspiradas no modelo de El Salvador e autorizar ações das Forças Armadas contra bandidos.
Iván Cepeda, representando a continuidade das bandeiras da esquerda, defende a retomada das negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e com dissidentes que abandonaram o tratado de 2016. No entanto, os partidos de oposição argumentam que essa estratégia falhou e apenas fortaleceu os grupos armados, que aproveitam os períodos de trégua para expandir suas atividades no narcotráfico e garimpo ilegal.
Os conflitos entre facções rivais também têm deixado um rastro de terror, especialmente no departamento de Guaviare, na Amazônia. Um recente confronto entre duas facções dissidentes das Farc resultou na morte de 52 rebeldes. O Ministério da Defesa confirmou que os traficantes têm utilizado minas terrestres na região para monitorar rotas de escoamento de cocaína, e há suspeitas de que menores de idade estejam entre as vítimas.
Gustavo Petro tentou minimizar a crise nos últimos dias, alegando estabilidade na taxa de homicídios, mas analistas apontam para a desordem territorial provocada por explosivos e drones. As negociações de paz foram suspensas em janeiro do ano passado, após o ELN realizar ataques que resultaram na fuga de 100 mil moradores em Catatumbo. Com 11 candidatos na corrida, a eleição deve ir para um segundo turno, previsto para 21 de junho.
