Um recente estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil, divulgado na última terça-feira, 26 de maio, traz dados alarmantes sobre as desigualdades raciais no país, enfatizando a importância dos jovens negros para o futuro do Brasil. Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud, afirma:
“Quem sustentará o Brasil do futuro é um jovem negro, não é um jovem branco.”
Betina ressalta que é crucial incluir a população negra nas políticas de desenvolvimento, não por romantismo, mas pela viabilidade econômica do país. De acordo com os dados apresentados no Radar IDHM, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), as disparidades entre brancos e negros persistem, apesar de uma leve diminuição ao longo dos últimos anos, desde 2012. Enquanto o IDHM dos brancos passou de 0,804 em 2012 para 0,851 em 2024, o dos negros subiu de 0,694 para 0,774 no mesmo período.
A escala do Pnud classifica o desenvolvimento humano de 0 a 1, onde resultados acima de 0,800 são considerados muito altos. Em 2024, o Brasil alcançou um IDHM de 0,805, entrando pela primeira vez no grupo de países com desenvolvimento humano muito alto. Contudo, as desigualdades ainda são evidentes, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a população negra é predominante.
“As desigualdades brasileiras ainda são regionais, mas o que os dados mostram é que todos nós melhoramos. Contudo, o fosso entre brancos e negros permanece o mesmo”, explica Betina. Ela enfatiza que, para o Brasil avançar, é necessário focar em políticas públicas que atendam a maioria da população, que é negra.
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Além disso, a coordenadora aponta que a elite branca do Brasil precisa dialogar com outros grupos sociais para garantir a continuidade do desenvolvimento democrático no país. “O próximo ciclo de desenvolvimento precisa ser centrado nas capacidades avançadas dos jovens, que estão cada vez mais conectados e em busca de novas oportunidades”, destaca.
Claudio Providas, chefe do Pnud no Brasil, complementa que as novas gerações enfrentam desafios e pressões diferentes, exigindo uma abordagem renovada nas políticas públicas. “Como podemos alinhar as expectativas dos jovens com as demandas do mercado futuro?”, questiona.
O aumento do IDHM da população negra, entre 2012 e 2024, foi impulsionado principalmente por avanços na educação e na saúde, frutos de políticas públicas mais inclusivas. Betina enfatiza que o desafio futuro não deve se restringir a programas sociais, mas sim a uma estratégia econômica que garanta a inclusão e a geração de renda para todos.
“Precisamos de um pacto voltado para a capacidade de investimento, considerando que uma parte significativa do orçamento está comprometida com dívidas e outras obrigações da classe política”, conclui Betina, alertando para a urgência de uma ação coletiva em prol da igualdade.
