Fake news nas eleições podem crescer com IA, alertam especialistas apontam juristas e cientistas políticos, que veem risco de desinformação em meio à polarização e ao baixo letramento digital do eleitorado brasileiro.
Fake news nas eleições podem crescer com IA, alertam especialistas
A utilização de inteligência artificial nas campanhas de 2026 preocupa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em análise recente, o ministro Nunes Marques incluiu o combate à desinformação entre as prioridades da Corte, ciente de que algoritmos capazes de criar textos, imagens e áudios falsos podem impulsionar boatos até outubro.
O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, compara a corrida entre manipuladores digitais e a Justiça Eleitoral ao “doping e antidoping” do esporte. “Quem tenta fraudar costuma estar um passo à frente dos mecanismos de controle”, afirma o especialista.
Para o professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, a eficácia das ações do TSE dependerá de pessoal qualificado. “Há dúvidas se a atual burocracia dará conta da sofisticação crescente da IA”, observa.
A Presidência do TSE destaca que a Corte buscará uniformizar a atuação com os tribunais regionais. Moreth avalia que a sintonia será decisiva para definir se o modelo de fiscalização adotará postura mais intervencionista, como a vista durante a gestão do ministro Alexandre de Moraes (2022-2024), ou se caminhará para linha considerada mais liberal.
Ianoni pondera que liberdade de expressão não autoriza a veiculação de calúnia, difamação ou injúria. “Os limites já estão previstos na lei; cabe ao tribunal aplicá-los”, ressalta.
Outro ponto de atenção é a divulgação de pesquisas eleitorais. O acadêmico teme o uso de levantamentos clandestinos que confundam o eleitor. Embora a legislação exija registro, amostra e identificação do estatístico responsável, Moreth alerta para a falta de auditoria rigorosa. “Ainda não encontramos fórmula que preserve a autonomia das empresas e garanta fiscalização efetiva”, diz.
O debate em torno da regulação da IA segue a tendência internacional. Materiais do Tribunal Superior Eleitoral reforçam a necessidade de transparência algorítmica, orientação que especialistas defendem como fundamental para mitigar o impacto das fake news nas eleições.
Com a proximidade do período oficial de campanha, especialistas recomendam ao eleitor verificar a origem das informações, desconfiar de conteúdo sensacionalista e recorrer a fontes confiáveis antes de compartilhar qualquer mensagem.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
