Gripe K e VSR: Opas alerta para possível sobrecarga hospitalar
Gripe K domina o cenário delineado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que prevê uma temporada de vírus respiratórios mais longa e intensa no Hemisfério Sul, com risco de pressão sobre hospitais.
Circulação crescente de Influenza A(H3N2)
No alerta epidemiológico divulgado em 27 de abril, a Opas informou que a variante K do vírus Influenza A(H3N2) — predominante no último inverno do Hemisfério Norte — já foi detectada em 72% das amostras analisadas no Brasil desde dezembro de 2025. Embora não provoque quadros mais graves que outras mutações, o subclado prolonga o período de transmissão e, portanto, amplia a quantidade de pessoas expostas.
De acordo com a organização, a taxa de positividade para Influenza no país ficou abaixo de 5% no primeiro trimestre, mas subiu para 7,4% no fim de março, sinalizando início antecipado da temporada de inverno. “A atividade da Influenza permanece baixa, porém com sinais claros de aumento”, diz o documento.
VSR antecipa temporada e preocupa pediatras
Outro ponto de atenção é o vírus sincicial respiratório (VSR). O levantamento da Opas mostra crescimento gradual da circulação do agente em vários países, inclusive no Brasil, fora de seu padrão sazonal. O VSR costuma atingir principalmente crianças pequenas e pode causar bronquiolite e síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Dados do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado em 29 de abril, confirmam a tendência: 24 das 27 unidades federativas brasileiras estão em nível de alerta para SRAG. Nas últimas quatro semanas analisadas, 36,2% dos casos confirmados foram provocados por VSR e 31,6%, por Influenza A.
Vacinação é a principal estratégia de contenção
Para evitar o colapso dos serviços de saúde, a Opas recomenda intensificar a vacinação contra Influenza, sobretudo em grupos prioritários como crianças menores de seis anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde. A vacina aplicada no Brasil já contém a cepa H3N2.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também disponibiliza o imunizante contra VSR para gestantes, garantindo proteção aos recém-nascidos nos primeiros meses de vida. A eficácia da vacina contra a gripe na última temporada de inverno do Reino Unido chegou a 75% na prevenção de hospitalizações infantis, segundo a Opas.
Medidas de higiene continuam essenciais
Além da imunização, a entidade reforça a importância de lavar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e permanecer em casa em caso de febre. O objetivo é reduzir a transmissão simultânea de Influenza, VSR e Covid-19 — esta última ainda presente em níveis relevantes, embora declinantes.
Caso as recomendações não sejam seguidas, a Opas projeta picos de demanda hospitalar em intervalos curtos, colocando à prova a capacidade de atendimento, principalmente em unidades de terapia intensiva pediátricas.
Para ampliar a vigilância, o Ministério da Saúde segue realizando sequenciamento genético por amostragem. Entre janeiro e março, 607 amostras foram analisadas, das quais 72% confirmaram a presença do subclado K de H3N2.
Os especialistas alertam que o aumento simultâneo de Gripe K e VSR, somado ainda a casos de Covid-19, poderia esgotar estoques de medicamentos, leitos e recursos humanos, repetindo o cenário observado no Hemisfério Norte.
Em síntese, a orientação é clara: vacinar, manter hábitos de higiene e monitorar sintomas para reduzir internações e mortes.
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Crédito da imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
Fonte: Joédson Alves/Agência Brasil
