Lula e Merz criticam guerra no Oriente Médio e ameaça a Cuba marcou o encontro entre o presidente brasileiro e o chanceler alemão em Hannover, onde ambos exigiram soluções diplomáticas para os conflitos e rejeitaram qualquer intervenção militar na ilha caribenha.
Lula e Merz criticam guerra no Oriente Médio e ameaça a Cuba
Na última segunda-feira (20 de abril), em Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, encerraram sua terceira reunião desde 2023 com duras declarações sobre a instabilidade global. Durante entrevista conjunta, os líderes reforçaram que a guerra no Oriente Médio carece de justificativa e cobraram atuação efetiva do Conselho de Segurança da ONU para mediar um cessar-fogo.
Lula criticou a “omissão” das Nações Unidas diante da escalada de violência em Gaza, Irã e Líbano. Segundo ele, a supremacia da força sobre o direito internacional ameaça a existência de um futuro Estado Palestino e mantém a região em permanente tensão. O brasileiro também citou o conflito na Ucrânia, avaliando que a paz “permanece distante” enquanto persistirem provocações e silenciosa conivência de parte da comunidade internacional.
Merz, por sua vez, revelou ter solicitado uma sessão extraordinária na ONU para discutir medidas que reabram o Estreito de Ormuz, fechado novamente pelo Irã. O bloqueio elevou o preço do petróleo e, na visão do chanceler, evidencia que a estabilidade energética global depende do fim imediato da guerra.
Sobre Cuba, ambos descartaram qualquer legitimidade para intervenção militar. Merz declarou não haver base jurídica que sustente uma ação externa e reforçou que “defesa não significa intromissão em países com sistemas políticos diferentes”. Lula reiterou ser contrário a ingerências em Cuba, Venezuela, Irã, Ucrânia ou Gaza, condenou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há quase sete décadas e advertiu que a lei do mais forte “já provou fracassar no passado”.
Além das questões geopolíticas, Brasil e Alemanha celebraram a entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia em maio. Para Merz, o tratado impulsionará cooperação em inteligência artificial, economia circular e agricultura. Lula elogiou o avanço, mas criticou cálculos europeus de emissão de carbono que, segundo ele, ignoram o uso predominante de fontes renováveis pelo agronegócio brasileiro.
Os governos também firmaram memorandos de entendimento em defesa, tecnologias quânticas, infraestrutura, bioeconomia e pesquisa oceânica. A Alemanha, quarta maior parceira comercial do Brasil, movimentou cerca de US$ 21 bilhões em trocas de bens e serviços em 2025 e mantém investimento direto superior a US$ 40 bilhões.
Merz demonstrou interesse em minerais críticos, essenciais para baterias e turbinas, destacando que o Brasil detém algumas das maiores reservas do mundo. Lula sinalizou que pretende atrair cadeias de processamento para território nacional, evitando a mera exportação de commodities e fomentando produção de alto valor agregado.
Os dois chefes de governo também defenderam a expansão de biocombustíveis como alternativa para descarbonizar transportes. Lula lembrou a experiência brasileira de cinco décadas com etanol e biodiesel, enquanto Merz apontou um caminhão movido a combustível renovável exibido na feira Hannover Messe como prova do potencial da tecnologia.
Com forte alinhamento em temas econômicos e ambientais, Lula e Merz encerraram a visita reforçando a necessidade de reformas na governança global para restaurar a credibilidade do Conselho de Segurança e evitar que conflitos regionais ameacem a estabilidade internacional.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR
Fonte: Ricardo Stuckert / PR
