Eleição no Peru: disputa voto a voto define rival de Keiko segue sem desfecho oficial após cinco dias de apuração, com menos de 3 mil votos separando a esquerda de Roberto Sánchez Palomino e o ultraconservador Rafael López Aliaga na corrida pela segunda vaga do segundo turno, previsto para 7 de junho.
Keiko Fujimori garante presença no segundo turno
Com 17% dos votos válidos, Keiko Fujimori assegurou matematicamente a liderança do primeiro turno e retorna à decisão presidencial pela quarta vez. A candidata do Força Popular recebeu 2,6 milhões de votos entre os 27 milhões de eleitores peruanos, mas ainda enfrenta resistência ligada ao legado do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos.
Disputa apertada pelo segundo lugar
Até a tarde de 22 de abril, a contagem alcançava 93,3% das urnas, indicando 12% para Roberto Sánchez Palomino, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, e 11,9% para Rafael López Aliaga, do partido Revolução Popular. A diferença de menos de 0,1 ponto percentual mantém o clima de incerteza e tensão política.
Perfis opostos de Sánchez e Aliaga
Sánchez, ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo, defende nacionalização de recursos, nova constituinte e ampliação de direitos trabalhistas, posicionando-se como representante das regiões rurais. Já Aliaga, ex-prefeito de Lima, combina agenda ultraconservadora com liberalismo econômico e, ao perder terreno nas zonas rurais, passou a denunciar suposta fraude sem apresentar provas. Uma missão preliminar da União Europeia informou não haver indícios de irregularidades significativas, conforme relatório citado pela Reuters.
Impactos regionais e governabilidade
Analistas, como o professor Gustavo Menon, da USP, avaliam que a definição do segundo colocado influenciará o equilíbrio geopolítico entre Estados Unidos e China na América do Sul, especialmente diante dos investimentos chineses no Porto de Chancay. Independentemente do vencedor, a fragmentação partidária e a força do parlamento peruano indicam desafios para a governabilidade, repetindo o cenário que produziu nove presidentes em apenas uma década.
Próximos passos
A contagem oficial prossegue em ritmo lento, e os resultados podem ser acompanhados no site do Júri Nacional de Eleições. Caso Aliaga avance e enfrente Keiko, o país testemunhará um embate entre dois projetos de direita; se Sánchez confirmar a vaga, o segundo turno oporá espectros políticos diametralmente opostos.
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Fonte: REUTERS
