Eleições no Peru: 35 candidatos concorrem à presidência em 2026
Eleições no Peru mobilizam 27 milhões de eleitores, que, no último domingo (12 de abril de 2026), escolheram presidente, vice, 130 deputados e 60 senadores em meio a uma crise política prolongada.
Fragmentação recorde dificulta previsões
Com 35 candidatos presidenciais, o pleito apresenta o resultado mais imprevisível desde o retorno da democracia. As sondagens colocam Keiko Fujimori na dianteira, com cerca de 15% das intenções de voto, mas sem garantia de vitória no segundo turno, marcado para 7 de junho. Um 36º postulante faleceu em acidente rodoviário durante a campanha.
Disputa ideológica envolve Estados Unidos e China
Especialistas apontam que o embate eleitoral extrapola as fronteiras do país. De acordo com análise do professor Gustavo Menon, da USP, o resultado poderá influenciar a competição comercial entre Estados Unidos e China na América do Sul. O lobby chinês se fortaleceu com o porto de Chancay, enquanto Fujimori sinaliza maior alinhamento a Washington, em consonância com a política externa defendida por Donald Trump. A Reuters detalhou esse contexto em reportagem recente (leia mais).
Cenário partidário pulverizado
Além de Fujimori, a direita conta com Rafael López Aliaga, conhecido como “Porky”, e com o humorista Carlos Álvarez. À esquerda, os índices não ultrapassam 5%, divididos entre figuras como o deputado Roberto Sánchez, apoiado pelo ex-presidente Pedro Castillo; Vladimir Cerrón, do Peru Livre; o ex-prefeito Ricardo Belmont; e o economista Alfonso López-Chau.
Senado reaberto após 33 anos
A votação também marcou a reabertura do Senado, extinto em 1993. Desde 2024, o Congresso peruano retomou o bicameralismo, apesar de um plebiscito contrário em 2018.
Crises sucessivas e instabilidade
Em apenas uma década, o Peru pode chegar ao décimo presidente, resultado de renúncias, impeachments e destituições. Pedro Castillo, eleito em 2021, foi afastado e preso por tentar dissolver o Parlamento. Sua vice, Dina Boluarte, sofreu queda em outubro de 2025. Na sequência, José Jerí e José María Balcázar Zelada assumiram interinamente, reforçando a percepção de que o Congresso detém o poder real.
Para o professor Menon, a pulverização partidária “pode inviabilizar a governabilidade do próximo presidente”, já que nenhum agrupamento deve conquistar maioria sólida no Legislativo.
No aguardo da apuração oficial, prevista para a madrugada de segunda-feira, permanece a incerteza sobre quais nomes enfrentarão o segundo turno e sobre a capacidade do futuro governo de romper o ciclo de instabilidade.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
