Fertilizantes estão no centro da estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que intensificou o monitoramento das cadeias de suprimentos para atenuar os efeitos dos conflitos internacionais sobre a produção rural brasileira.
Governo intensifica vigilância sobre insumos críticos
Em nota divulgada na última sexta-feira (27 de março), o Mapa informou que acompanha, de forma permanente, produtos suscetíveis a oscilações de oferta e preço, com destaque para o nitrato de amônio, cuja importação foi temporariamente suspensa pela Rússia em razão da guerra contra a Ucrânia. O ministério ressalta que o Brasil depende fortemente do mercado externo para abastecer-se de fertilizantes, o que justifica a atenção redobrada a riscos logísticos e cambiais.
Estratégia contra especulação de preços
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, atribui a alta volatilidade dos preços a movimentos especulativos desencadeados pela instabilidade internacional. Segundo ele, a melhor resposta do setor é não comprar enquanto o valor estiver artificialmente elevado. A pasta lembra que a safra de inverno já foi implantada ou está em fase final, diminuindo a necessidade imediata de novos pedidos. A próxima grande demanda só ocorrerá em setembro, com o início do plantio da safra de verão.
Tecnologia e manejo para racionalizar nutrientes
Fávaro destaca alternativas de manejo que permitem otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, minimizando a exposição do produtor a variações bruscas de custo. Práticas como adubação de precisão, integração lavoura-pecuária e uso de bioinsumos são apontadas pelo ministério como formas de manter a produtividade mesmo em cenário adverso.
Riscos geopolíticos no Estreito de Ormuz
Para o pesquisador Marco Fernandes, integrante do Conselho Popular do Brics, o fato de grande parte dos fertilizantes globais transitarem pelo Estreito de Ormuz amplia o risco de gargalos logísticos. Em entrevista à Agência Brasil, ele avaliou que um eventual bloqueio elevaria os preços dos alimentos e poderia desencadear crise humanitária. Relatórios da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já alertam para o impacto da oferta restrita de insumos agrícolas em países dependentes de importação.
Orientação oficial aos produtores
O Mapa aconselha agricultores a acompanharem o mercado com cautela e evitarem compras precipitadas de fertilizantes para a próxima safra. A pasta reforça que mantém diálogo com importadores, armadores e produtores para garantir rotas alternativas e segurança no abastecimento.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
