Eleições municipais palestinas incluem Gaza após 20 anos abriram, no último sábado (25 de abril), a primeira votação no enclave desde 2006 e serviram como termômetro político em meio à pressão de Israel contra o futuro Estado palestino.
Eleições municipais palestinas incluem Gaza após 20 anos
A Autoridade Palestina, sediada na Cisjordânia, celebrou a presença de urnas em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, vista como passo simbólico para reafirmar sua autoridade no território controlado pelo Hamas desde 2007. Mesmo assim, a participação foi modesta: 22,7% em Deir al-Balah e 53,44% na Cisjordânia, conforme números oficiais.
Moradores de Gaza, enfrentando escassez de água, energia e alimentos, enxergaram o pleito como sinal de normalidade. “Sinto orgulho de ver o processo democrático retornar”, disse o eleitor Mamdouh al-Bhaisi, 52 anos, na seção montada em uma escola local.
Para o analista político Hani Al-Masri, a baixa adesão no enclave revela que a crise humanitária relegou a política a segundo plano. Na Cisjordânia, o índice também foi afetado por boicotes de facções que discordam dos termos impostos aos candidatos.
Ao depositar seu voto em Al-Bireh, próximo a Ramallah, o presidente Mahmoud Abbas reafirmou que a Faixa de Gaza “é parte inseparável do Estado da Palestina” e prometeu eleições gerais quando “as condições permitirem”. A comunidade internacional, especialmente governos europeus e árabes, apoia esse retorno da Autoridade Palestina como etapa decisiva para um Estado independente que inclua Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia.
Diplomatas ocidentais apontam que o pleito local pode pavimentar as primeiras eleições nacionais em quase duas décadas, além de impulsionar reformas de transparência. “Esperamos que a votação de hoje seja coroada com eleições legislativas e presidenciais”, declarou o candidato independente Munif Treish, em Ramallah.
No campo financeiro, a Autoridade Palestina segue pressionada: Israel retém receitas de impostos, alegando oposição aos pagamentos a prisioneiros e familiares de mortos em confrontos. O ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, reiterou que continuará a “matar a ideia de um Estado palestino”.
A votação ocorreu apenas em Deir al-Balah porque outras regiões de Gaza estão parcialmente destruídas ou sob controle israelense, segundo o Comitê Eleitoral Central. O Hamas não lançou candidatos oficiais, mas listas vistas como próximas ao grupo participaram. O desempenho desses nomes deve indicar o grau de apoio popular após quase duas décadas de governo do movimento islâmico.
De acordo com a comissão, mais de um milhão de eleitores estavam aptos a votar, incluindo 70 mil em Gaza. A apuração começou imediatamente, e o resultado final era esperado ainda no fim de semana.
Em relatório da agência Reuters, diplomatas afirmam que a votação será observada de perto como indicativo da disposição para reformas e possível reconciliação política entre facções palestinas.
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Crédito da imagem: Mohamad Torokman/Reuters
Fonte: Reuters
