Deputada que fez blackface declarou-se parda ao TSE em 2022
Deputada que fez blackface declarou-se parda ao TSE em 2022 ao mesmo tempo em que, numa sessão plenária de 18 de março na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), afirmou ser branca enquanto pintava rosto e braços de preto para atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL). Documentos do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que, na candidatura de 2022, Fabiana de Lima Barroso — conhecida politicamente como Fabiana Bolsonaro (PL) — registrou-se como parda e, por isso, recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Eleitoral destinado a candidatos negros ou pardos.
Declaração racial contraditória
A contradição ganhou destaque após a deputada estadual Monica Seixas (PSOL) publicar, em redes sociais, a ficha eleitoral de Fabiana. Na postagem, Seixas classificou a colega como “blackface e fraudadora de cotas” e apontou o repasse de recursos do fundo especial racial ao PL da parlamentar.
Sem vínculo com Jair Bolsonaro
Apesar de usar o sobrenome do ex-presidente, Fabiana não possui parentesco com Jair Bolsonaro. O nome completo da deputada é Fabiana de Lima Barroso; ela adotou “Bolsonaro” por afinidade ideológica com o ex-chefe do Executivo, atualmente preso em Brasília.
Discurso contra Erika Hilton e repercussão
Na mesma sessão em que realizou o blackface, Fabiana Bolsonaro protestou contra a escolha de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Ao microfone, disse: “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher”. A fala, somada à caracterização considerada racista, levou deputados paulistas a protocolarem pedido de cassação de seu mandato por quebra de decoro.
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Verba eleitoral e legislação
Pelas regras vigentes, partidos devem destinar percentual proporcional de recursos do Fundo Eleitoral a candidatos autodeclarados pretos e pardos. A quantia de R$ 1.593,33 recebida por Fabiana consta na prestação de contas entregue ao TSE e aprovada pela Justiça Eleitoral.
Próximos passos
Os pedidos de cassação serão analisados pela Mesa Diretora da Alesp. Caso avance, o processo pode resultar na perda de mandato, além de possíveis sanções cíveis e criminais relacionadas a injúria racial e transfobia.
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Crédito da imagem: TSE/Reprodução
Fonte: Agência Brasil
