CPI do Banco Master avança no Supremo Tribunal Federal com a escolha do ministro Cristiano Zanin como novo relator da ação que busca obrigar a Câmara dos Deputados a instalar a comissão de inquérito destinada a apurar suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira.
CPI do Banco Master: Zanin assume relatoria no STF
O sorteio que definiu Zanin como relator ocorreu após o ministro Dias Toffoli declarar-se suspeito para analisar o mandado de segurança apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Toffoli deixou o caso depois de a Polícia Federal mencionar seu nome em mensagens apreendidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, no ano passado.
Segundo Rollemberg, o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito atendeu a todos os requisitos constitucionais: foram reunidas 201 assinaturas — mais de um terço dos deputados —, estabeleceu-se objeto específico e prazo determinado para a investigação. Mesmo assim, o parlamentar alega omissão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por não ter instalado a CPI.
O Banco Master entrou na mira das autoridades após suspeitas de fraudes em operações financeiras e investimentos. Entre os pontos investigados está a compra do resort Tayayá, no Paraná, por um fundo ligado à instituição. Toffoli é um dos sócios do empreendimento, fator que motivou seu afastamento tanto do inquérito criminal quanto do atual mandado de segurança.
Com a chegada do processo ao gabinete de Zanin, caberá ao ministro analisar o pedido de liminar que exige a imediata abertura da CPI. Caso concedida, a decisão deverá ser cumprida pela Mesa Diretora da Câmara. Em seguida, os líderes partidários indicarão os membros do colegiado, dando início aos trabalhos de investigação.
Especialistas apontam que o STF tem jurisprudência favorável à instalação de CPIs quando os critérios formais são preenchidos. Em casos recentes, a Corte determinou a abertura de comissões para apurar temas como ações governamentais na pandemia. A expectativa é que Zanin mantenha essa linha, mas o prazo para a decisão ainda não foi divulgado pelo tribunal.
O Supremo Tribunal Federal costuma priorizar pedidos com potencial impacto institucional, o que pode acelerar o julgamento. Enquanto isso, a oposição pressiona a Câmara para evitar novos atrasos, argumentando que a investigação é fundamental para esclarecer a participação de dirigentes do banco em esquemas de corrupção.
No Parlamento, partidos de centro e da base governista adotam cautela. Eles temem que a CPI se torne palco de desgaste político em ano eleitoral, sobretudo após a inclusão de nomes de autoridades públicas nas apurações conduzidas pela Polícia Federal.
O desenrolar do caso depende, agora, da manifestação de Zanin e de eventual recurso que a Mesa da Câmara possa apresentar. Até lá, a abertura da CPI permanece indefinida, mantendo em suspense deputados que buscam transparência sobre as operações do Banco Master.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
