Ataque ao Irã pressiona preço do petróleo no mercado global — especialistas alertam que a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra território iraniano, em 28 de fevereiro de 2026, pode encarecer rapidamente o barril de petróleo caso ocorra o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de 20% da produção mundial.
Estreito de Ormuz no centro das preocupações
O Estreito de Ormuz, localizado ao sul do Irã, liga os golfos Pérsico e de Omã e já foi fechado temporariamente em outras crises. Para o pesquisador Leonardo Paz Neves, do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), qualquer interrupção nessa passagem criará “um gargalo sério no abastecimento” e, por consequência, elevará as cotações do petróleo nos mercados futuros.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, mais de 17 milhões de barris transitam diariamente pelo canal. O temor é que eventual retaliação iraniana inclua minas navais ou bloqueios, repetindo táticas adotadas em conflitos anteriores.
Impacto econômico global e risco de escalada
Para Williams Gonçalves, professor titular aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o encarecimento do petróleo teria efeito cascata sobre cadeias produtivas de países “distantes do teatro de guerra”, desorganizando a economia global. Ele lembra que a região abriga potências regionais que podem ser arrastadas para o conflito, aumentando a imprevisibilidade.
O professor Feliciano de Sá Guimarães, do Instituto de Relações Internacionais da USP, avalia que o Irã está disposto a “subir mais riscos” do que em crises passadas, o que dificulta manobras norte-americanas para uma eventual mudança de regime. “Vitórias táticas não se convertem em vitórias estratégicas contra um país desse porte”, afirma.
Negociações nucleares paralisadas
O ataque ocorreu enquanto Washington e Teerã mantinham rodadas de diálogo sobre os limites do programa nuclear iraniano. Segundo Leonardo Paz Neves, a ação “joga o acordo no lixo” e reduz a confiança iraniana em novas tratativas. O último encontro havia sido mediado pelo chanceler de Omã dois dias antes da ofensiva.
O presidente norte-americano Donald Trump defendeu a operação alegando proteção a cidadãos dos EUA. Já o Irã respondeu lançando foguetes contra bases que abrigam tropas americanas no Catar e no Bahrein, além de disparos contra Israel, movimentos considerados “pouco efetivos” por Neves.
Perspectivas para o mercado de energia
Analistas financeiros monitoram o comportamento dos contratos futuros de Brent e WTI. Caso o Estreito de Ormuz seja fechado por período prolongado, o preço do barril pode ultrapassar a marca dos US$ 120, prevê Gonçalves. A volatilidade também tende a aumentar os custos de transporte marítimo e seguros, pressionando ainda mais o comércio internacional.
Entidades do setor recomendam que países importadores reforcem estoques estratégicos enquanto não se define o alcance da escalada militar.
O cenário permanece incerto, mas todos os especialistas convergem em um ponto: o ataque ao Irã adiciona um novo grau de tensão ao mercado de energia global, com potencial para reposicionar alianças e redesenhar fluxos comerciais.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
