Discurso de Trump no Estado da União defendeu que os Estados Unidos atravessam uma “era de ouro”, com inflação em queda, mercado acionário em alta e cortes de impostos, mesmo diante da insatisfação popular que ameaça a maioria republicana no Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro.
Discurso de Trump no Estado da União anuncia ‘era de ouro’
Na sessão conjunta do Congresso realizada em 24 de fevereiro de 2026, o presidente Donald Trump concentrou a primeira hora de sua fala na economia. Segundo ele, a administração reduziu a inflação, impulsionou Wall Street a níveis recordes, aprovou significativas reduções fiscais e forçou a queda nos preços de medicamentos. O tom otimista, porém, contrasta com pesquisas que mostram queda na aprovação presidencial e frustração com o custo de vida.
Republicanos, temerosos de perder cadeiras em ambas as Casas, incentivaram o foco econômico. Ainda assim, índices recentes apontam desaceleração do PIB e aceleração da inflação no último trimestre, divulgados em 20 de fevereiro. Um levantamento Reuters/Ipsos indica que apenas 36% dos norte-americanos aprovam a condução da economia por Trump.
Enquanto o lado republicano aplaudia, dezenas de assentos democratas ficaram vazios em razão de protestos externos. Dentro do plenário, o clima também foi tenso: a deputada Ilhan Omar gritou “Você matou norte-americanos!” após Trump culpar imigrantes sem documentos por crimes violentos. O democrata Al Green foi novamente retirado da Câmara ao erguer um cartaz “Os negros não são macacos”, referência a vídeo racista divulgado e posteriormente apagado pela Casa Branca.
No campo comercial, Trump classificou como “lamentável” a decisão da Suprema Corte que derrubou a maioria das tarifas de importação, mas minimizou o impacto sobre sua política protecionista. Já na esfera internacional, o presidente afirmou ter “encerrado oito guerras”, evitou mencionar a China e foi vago sobre a Ucrânia, que completava quatro anos de invasão russa. Sobre o Irã, garantiu preferir negociação, mas reiterou que Teerã nunca terá armas nucleares.
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A retórica sobre imigração reacendeu o embate partidário. Trump acusou os democratas de bloquearem recursos ao Departamento de Segurança Interna e de se oporem à exigência de identificação do eleitor “para trapacear”. Pesquisas, contudo, indicam que a maioria considera excessiva a atual repressão migratória, marcada pela morte de dois cidadãos em Minneapolis.
Manifestações menos ruidosas também estiveram presentes: a deputada Jill Tokuda usou jaqueta branca com palavras como “acessibilidade” e “saúde”, enquanto parlamentares democratas exibiram crachás “divulguem os arquivos” em alusão ao caso Jeffrey Epstein, que teve várias acusadoras assistindo ao discurso.
Analistas avaliam que o tom disciplinado — Trump seguiu de perto o roteiro, evitando digressões — buscou acalmar mercados e eleitores. Resta saber se a narrativa de prosperidade convencerá o eleitorado, sobretudo diante da pressão inflacionária e das incertezas geopolíticas. Reportagem da Reuters aponta que o desafio republicano será transformar o discurso em ganhos concretos para famílias que lidam com preços altos de alimentos, moradia e seguros.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
