Extradição de Carla Zambelli: corte italiana encerra audiência A Corte de Apelação de Roma concluiu, em 12 de fevereiro de 2026, a fase de instrução do processo que decidirá se a ex-deputada Carla Zambelli será enviada de volta ao Brasil para cumprir pena. A partir de agora, o colegiado se reunirá a portas fechadas para produzir a sentença, que deve ser divulgada nos próximos dias, segundo o cronograma oficial do tribunal.
Fase final do julgamento em Roma
A audiência sobre a extradição de Zambelli foi aberta em 11 de fevereiro, mas acabou suspensa após a manifestação do Ministério Público italiano e de um dos defensores da ex-parlamentar. No dia seguinte, retornou com o depoimento do representante do governo brasileiro e de outro advogado de defesa, encerrando a coleta de argumentos.
O caso chegou a ser adiado em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, quando os juízes solicitaram tempo extra para analisar novos documentos encaminhados tanto pelo Brasil quanto pela defesa. A agência Reuters confirmou que, após essas prorrogações, o tribunal declarou a fase instrutória “suficientemente madura” para deliberação.
Motivos da extradição solicitada pelo STF
Carla Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho de 2025. Ela deixou o Brasil dias antes de se esgotarem os recursos contra a condenação de dez anos de reclusão pelo ataque aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023. As investigações apontaram que a invasão foi executada a mando da então deputada.
Mesmo fora do país, Zambelli voltou a ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio, registrado em outubro de 2022, mostrou a ex-parlamentar armada perseguindo um homem nas ruas de São Paulo. Em razão dessas sentenças, o presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou a perda do mandato, decisão alinhada ao entendimento do STF de que pena em regime fechado é incompatível com a função parlamentar.
Argumentos da defesa e garantias do Brasil
Na tentativa de conter o avanço do processo, os advogados de Zambelli solicitaram, em 10 de fevereiro, a substituição dos magistrados do caso, alegando parcialidade. O pedido foi negado na mesma data pelo tribunal romano.
Ao requerer a extradição, o ministro Alexandre de Moraes, relator no STF, assegurou às autoridades italianas que a penitenciária indicada para o cumprimento da pena no Brasil oferece condições adequadas de salubridade, segurança, assistência médica e cursos de capacitação. Moraes destacou, ainda, que nunca houve rebelião na unidade escolhida para abrigar a ex-deputada.
Com a etapa de depoimentos encerrada, resta à Corte de Apelação deliberar sobre a legalidade do pedido brasileiro e sobre o cumprimento dos acordos bilaterais de cooperação judiciária entre Brasil e Itália. Enquanto aguarda a decisão, Zambelli permanece detida em um presídio feminino próximo a Roma.
O veredicto poderá redefinir os rumos da trajetória política e jurídica da ex-deputada, além de testar a cooperação internacional em matéria penal entre os dois países.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
