Acordo União Europeia e Índia cria zona de livre comércio para 2 bilhões marca a conclusão de 18 anos de negociação e abre caminho para um mercado integrado entre os 27 países do bloco europeu e o quarto maior PIB do planeta.
Acordo União Europeia e Índia cria zona de livre comércio para 2 bilhões
Divulgado na 16ª Cúpula Índia-UE, em Nova Delhi, o pacto foi apresentado pelo primeiro-ministro indiano, Shri Narendra Modi, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A líder europeia chamou o tratado de “mãe de todos os acordos” ao destacar no X que a nova zona de livre comércio beneficiará cerca de 2 bilhões de habitantes.
Pelos termos anunciados, 96% das exportações europeias para a Índia terão tarifas reduzidas, o que pode dobrar as vendas do bloco até 2032. Do lado indiano, mais de 99% dos produtos ganharão acesso preferencial ao mercado europeu, contemplando setores intensivos em mão de obra como têxteis, vestuário, couro, calçados, joias, pedras preciosas, automóveis e bens de engenharia.
Juntas, União Europeia e Índia respondem por um quarto do Produto Interno Bruto global e por um terço do comércio mundial. No exercício fiscal encerrado em março de 2025, a corrente de trocas bilaterais somou US$ 135 bilhões, segundo dados oficiais citados pela agência Reuters.
Para o ministro indiano do Comércio e Indústria, Shri Piyush Goyal, o entendimento representa “uma parceria abrangente com dimensões estratégicas” e reforça o compromisso da Índia com acordos equilibrados e mutuamente benéficos.
Antes da entrada em vigor, o texto passará por revisão jurídica, processo que pode levar alguns meses. A expectativa é de que a implementação comece em aproximadamente um ano.
Contexto geopolítico impulsiona aproximação
A consolidação do acordo União Europeia e Índia acontece em meio a tensões comerciais de ambos com os Estados Unidos. Medidas protecionistas e sobretaxas impostas por Washington nos últimos anos estimularam Bruxelas e Nova Delhi a buscarem alternativas bilaterais para proteger cadeias produtivas e ampliar mercados.
O anúncio ocorre pouco depois de Bruxelas ter fechado um tratado com o Mercosul, fortalecendo a estratégia europeia de diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de rotas sujeitas a volatilidades diplomáticas.
Analistas destacam que a UE ganha acesso a um mercado de 1,4 bilhão de consumidores em rápida expansão, enquanto a Índia se aproxima de tecnologias e investimentos europeus, consolidando sua presença no comércio internacional.
Com a legalização final, empresas de ambos os lados poderão aproveitar menores custos logísticos, cadeias de suprimento mais curtas e previsibilidade regulatória, fatores considerados essenciais para estimular novos investimentos.
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Crédito da imagem: Reuters/Yiannis Kourtoglou
Fonte: Reuters
