Sanções dos EUA afetam economia do Irã e impulsionam inflação
Sanções dos EUA afetam economia do Irã e impulsionam inflação. A prolongada pressão econômica imposta por Washington, reforçada por resoluções do Conselho de Segurança da ONU, restringe o acesso iraniano ao sistema financeiro global, desvaloriza o rial e eleva os preços internos, segundo especialistas e relatórios oficiais.
Restrição cambial e impacto fiscal
A economista e socióloga Juliane Furno, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que as sanções “impedem ou dificultam a entrada de dólares no país”, bloqueando ativos no exterior e punindo empresas que invistam mais de US$ 20 milhões no setor energético iraniano. Desde o recrudescimento das medidas em setembro de 2025, o rial perdeu cerca de 50 % do seu valor e a inflação oficial atingiu 42 % em 2025.
Documentos do Congresso norte-americano descrevem o Irã como alvo do conjunto de sanções mais amplo já aplicado pelos Estados Unidos. A dependência de receitas do petróleo — responsável por quase metade do orçamento fiscal — agrava a vulnerabilidade. Entre 2018 e 2019, as exportações de petróleo iraniano recuaram 57 %, despencando para menos de 500 mil barris por dia em julho de 2020.
Consequências sociais e de saúde pública
Relatório divulgado em julho de 2024 pela relatora especial da ONU sobre os impactos das sanções, Alena Douhan, destaca correlação direta entre o embargo e a deterioração das condições de vida. Os preços gerais subiram 85 % desde 2018, enquanto o custo de alimentos dobrou. Pesquisa publicada na revista The Lancet apontou falta de 13 dos 26 medicamentos essenciais para doenças crônicas, com alta de até 300 % em alguns antiepilépticos.
A classe média também encolheu. Estudo da Revista Europeia de Economia Política calculou redução média anual de 17 pontos percentuais no tamanho desse estrato social entre 2012 e 2019. Para Douhan, o resultado é “recursos insuficientes para garantir necessidades básicas de grupos vulneráveis”.
Dimensão geopolítica e críticas às justificativas
Os Estados Unidos justificam as sanções com base em supostas violações de direitos humanos e em temores de proliferação nuclear. O Irã, no entanto, é signatário do Tratado de Não Proliferação. O cientista político Bruno Lima Rocha afirma que a verdadeira motivação é conter a influência regional de Teerã e seu apoio à causa palestina. Segundo ele, “Israel, que não assinou o TNP, possui arsenal desconhecido sem sofrer embargo semelhante”.
Estudos recentes sugerem que o custo humano de sanções econômicas se aproxima ao de conflitos armados. Artigo da revista The Lancet Global Health associa medidas unilaterais a cerca de 560 mil mortes adicionais por ano e a redução de até 1,4 ano na expectativa de vida, especialmente entre mulheres e crianças.
Tendência global e apelos por alívio
O uso de sanções como instrumento de política externa ganhou força após o fim da Guerra Fria. Para Douhan, a experiência iraniana mostra que embargos prolongados “agravam desigualdades socioeconômicas e comprometem direitos humanos básicos”, motivo pelo qual recomenda suspensão total ou parcial das restrições.
Para acompanhar outras análises sobre a política internacional e seus desdobramentos, visite a editoria Internacional do Giro pela Bahia e continue informado.
Crédito da imagem: Fars News Agency
Fonte: Fars News Agency
