Xi Jinping apoia Lula e defende ONU em cenário turbulento
Xi Jinping apoia Lula e defende ONU em cenário turbulento. Em conversa telefônica divulgada pela agência estatal Xinhua na madrugada de 23 de janeiro, o presidente da China assegurou respaldo ao Brasil e aos países do Sul Global, além de afirmar que Pequim e Brasília devem proteger o papel das Nações Unidas diante da atual conjuntura internacional.
Diálogo sino-brasileiro destaca defesa do Sul Global
Durante o contato, Xi Jinping ressaltou que China e Brasil precisam “salvaguardar interesses comuns” das nações em desenvolvimento. O líder chinês avaliou a situação global como “turbulenta” e disse que a cooperação entre os dois países é crucial para manter o equilíbrio diplomático.
A chamada ocorreu poucos dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicar artigo no New York Times criticando o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela. Xi frisou que ambas as nações devem “manter conjuntamente” a relevância da ONU nessas circunstâncias.
Contexto das críticas de Lula aos EUA
No texto de 18 de janeiro, Lula afirmou que o futuro venezuelano “deve permanecer nas mãos de seu povo” e classificou a ação norte-americana como o primeiro ataque direto à América do Sul em mais de dois séculos. Segundo o presidente brasileiro, “um mundo de hostilidade permanente não é viável”.
O posicionamento ecoou preocupações regionais sobre intervenções armadas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou à BBC Rádio 4 que os EUA agiram “com impunidade”, colocando em risco princípios fundadores da organização. (Informações adicionais podem ser conferidas na agência Reuters.)
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Parceria estratégica e Iniciativa Cinturão e Rota
Xi Jinping mencionou a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a Iniciativa do Cinturão e Rota aos projetos brasileiros em agricultura, infraestrutura e transição energética. Segundo ele, o acordo demonstra solidariedade entre os países do Sul Global e reforça a presença chinesa na América Latina e no Caribe.
Repercussões no continente
A detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas alimenta incertezas políticas em Caracas e coloca em xeque a influência de Pequim na região. Xi, porém, reiterou que a China está “disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira” dos latino-americanos.
O telefonema também ocorre em meio a tensões causadas pela intenção dos EUA de utilizar força militar para adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, fator que preocupa aliados europeus e latino-americanos.
Em síntese, a ligação reforça o papel da diplomacia sino-brasileira como contraponto a intervenções externas e evidencia a busca conjunta pela preservação de normas multilaterais.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
