Violência contra mulheres atinge 840 milhões, diz OMS
Violência contra mulheres afeta perto de um terço da população feminina global, totalizando 840 milhões de vítimas, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado recentemente.
Relatório mostra estagnação na redução dos casos
A pesquisa comparou dados de 2000 a 2025 e concluiu que, em duas décadas, a prevalência de violência física ou sexual cometida por parceiros íntimos caiu apenas 0,2% ao ano. Nos últimos 12 meses avaliados, 316 milhões de mulheres de 15 anos ou mais sofreram agressões desse tipo, representando 11% do grupo etário.
Pela primeira vez, o estudo apresentou estimativas nacionais e regionais de violência sexual praticada por não parceiros, atingindo 263 milhões de mulheres adultas. A OMS ressalta subnotificação motivada por estigma e medo de retaliação.
Adolescentes e regiões vulneráveis correm risco maior
Entre adolescentes de 15 a 19 anos, 12,5 milhões (16% do total) foram vítimas de violência íntima no último ano mapeado. O relatório destaca que países menos desenvolvidos, áreas em conflito e locais expostos às mudanças climáticas registram índices superiores à média mundial. Na Oceania — excluindo Austrália e Nova Zelândia — a prevalência anual de violência por parceiro alcançou 38%, mais que o triplo do índice global.
Consequências para saúde e direitos humanos
As sobreviventes enfrentam maior risco de gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e depressão. Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “nenhuma sociedade pode ser justa ou saudável enquanto metade de sua população vive com medo”. A Organização Mundial da Saúde recomenda reforçar serviços de saúde sexual e reprodutiva como porta de entrada para atendimento integral.
Ações prioritárias indicadas pela OMS
Para reverter o quadro, o documento propõe:
- Ampliar programas de prevenção baseados em evidências;
- Fortalecer serviços jurídicos, sociais e de saúde focados nas sobreviventes;
- Investir em sistemas de dados que monitorem o problema e alcancem grupos vulneráveis;
- Aplicar leis que empoderem mulheres e meninas.
O organismo internacional avalia que, sem financiamento adequado e compromisso político, a violência contra mulheres continuará sendo “uma das injustiças mais disseminadas do planeta”.
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Crédito da imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
Fonte: Joédson Alves/Agência Brasil
