Doação de leite humano: bancos lutam para atender prematuros
Doação de leite humano continua insuficiente para suprir todos os recém-nascidos prematuros internados no país, mesmo com o crescimento de 8% registrado recentemente, segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR/Fiocruz).
Congresso internacional analisa 15 anos de avanços
Entre 18 e 21 de maio, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano, realizado no Rio de Janeiro, celebra o 15º aniversário do Dia Mundial de Doação de Leite Humano. O encontro reúne gestores públicos, organismos internacionais e pesquisadores para avaliar resultados, trocar experiências e alinhar ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-estar).
Com mais de 230 unidades, a rede brasileira é considerada a maior do mundo e referência em cooperação internacional, status reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde.
Volume arrecadado oscila ao longo do ano
A coordenadora da rBLH, Danielle Aparecida da Silva, alerta que a coleta flutua intensamente. Após maio, tradicional mês de campanhas, a quantidade de frascos cai, principalmente nas férias escolares e nas festas de fim de ano. No Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), por exemplo, o número de doadoras varia entre 100 e 150 por mês, gerando de 100 l a 150 l de leite – volume ainda insuficiente para cobrir 100% da demanda.
Desigualdade regional expõe gargalos
O Distrito Federal já alcançou autossuficiência, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina aproximam-se desse patamar. Nas regiões Norte e Nordeste, porém, a maioria dos estados mantém apenas um banco de leite, o que limita o atendimento. No Rio de Janeiro, apesar de 17 bancos distribuídos entre capital, região metropolitana e interior, as doações permaneceram estáveis ou até recuaram nos últimos meses.
Leite materno é insumo terapêutico
Destinado a bebês de baixo peso, o leite humano pasteurizado reduz infecções, fortalece o sistema imunológico e acelera a alta hospitalar. “Não é apenas alimento; é terapia”, reforça Danielle. Com a chegada do inverno e o aumento de doenças respiratórias, a procura cresce, mas o estoque não acompanha.
Campanhas ganharam alcance global
Durante a pandemia de covid-19, a rBLH inovou ao abrir edital internacional para escolha de slogans anuais. A frase vencedora de 2020 — “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança” — exemplifica o engajamento social que se estendeu a cinco continentes. Desde então, o processo participativo permanece e impulsiona a visibilidade da causa.
Para as mulheres que amamentam, a orientação é simples: qualquer volume excedente, mesmo que mínimo, pode salvar vidas quando destinado a um banco de leite. Basta entrar em contato com a unidade mais próxima para receber frascos esterilizados e instruções de coleta em casa.
No Brasil, a Fiocruz abriga o único Centro Colaborador da Opas/OMS para Bancos de Leite Humano, responsável por capacitar técnicos, padronizar processos de qualidade e auxiliar na implementação de políticas públicas em outros países.
Em resumo, ampliar a doação de leite humano depende da mobilização permanente de toda a sociedade. Quer entender mais sobre iniciativas de saúde materno-infantil na Bahia? Visite a editoria Saúde do Giro pela Bahia e continue informado.
Crédito da imagem: BLH IFF/Fiocruz
Fonte: BLH IFF/Fiocruz
