Violência contra a mulher é prioridade do governo, afirma Lula Violência contra a mulher aparece, a partir de agora, no topo da agenda do Palácio do Planalto, garantiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião do Conselho de Participação Social realizada em 16 de dezembro, em Brasília.
Violência contra a mulher é prioridade do governo, afirma Lula
Lula declarou que quer atuar “na linha de frente” ao lado de homens e mulheres que buscam um país “decente, digno e respeitoso com a questão de gênero”. Para o chefe do Executivo, o combate ao feminicídio exige mudanças de postura masculinas e ações permanentes de educação.
“É um processo educacional que precisa chegar ao ensino fundamental; o menino não pode achar que é melhor do que a menina”, reforçou. Ele informou ter convidado representantes do Judiciário e do Legislativo a elaborar medidas conjuntas capazes de alterar o cenário de violência.
O Conselho de Participação Social, criado em 2023, reúne 68 entidades da sociedade civil. Na reunião, Sonia Maria Coelho Gomes Orellana, integrante do colegiado, associou o aumento dos casos de agressão às mulheres à disseminação de discursos de ódio, racismo e conservadorismo. “O Brasil está entre os países mais perigosos do mundo para mulheres, sobretudo negras e LGBTQIA+”, alertou.
Ivonete Carvalho, da Coordenação de Entidades Negras, defendeu proteção ampliada às comunidades tradicionais e mais ações contra o racismo. “Somos iguais nos direitos, mas temos nossa diversidade”, pontuou.
Dados da ONU Mulheres mostram que uma brasileira é vítima de feminicídio a cada sete horas, evidenciando a urgência de políticas públicas capazes de prevenir e punir esse tipo de crime.
Acordo Mercosul–União Europeia também em pauta
Durante o mesmo encontro, Lula reiterou a expectativa de assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia na cúpula de chefes de Estado marcada para 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR), que deve contar com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente destacou o potencial econômico do tratado: Produto Interno Bruto conjunto estimado em US$ 22 trilhões e 722 milhões de habitantes.
Lula reconheceu, contudo, a resistência de setores agrícolas franceses, que temem concorrência dos produtores brasileiros. Ele apelou para que o presidente Emmanuel Macron e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assumam compromisso com o acordo.
Ao final, o presidente enfatizou que o sucesso do pacto comercial não diminui a relevância da pauta de gênero. “Onde é que vamos parar se continuarmos acomodados no conforto do nosso machismo?”, questionou.
O enfrentamento à violência contra a mulher, portanto, passa a ocupar posição estratégica no governo federal, que pretende articular campanhas educativas, reforçar políticas de segurança e envolver todas as esferas de poder no tema.
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Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
