Violência contra jornalista na Câmara gera repúdio de sindicatos mobilizou entidades da categoria após a repórter Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, ser cercada e intimidada por cerca de 20 servidores no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, na tarde de 23 de fevereiro.
Entidades denunciam coação no exercício profissional
Em nota conjunta divulgada em 24 de fevereiro, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF e a Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ classificaram o episódio como “inaceitável” e “absurdo”. Para as organizações, tratou-se de grave violência física e psicológica contra uma profissional que simplesmente cumpria sua função dentro de uma Casa legislativa.
O cerco ocorreu logo após a repórter questionar parlamentares do PL sobre outdoors instalados no Distrito Federal contendo imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis (PL-DF). De acordo com o relato, simpatizantes filmaram o rosto da jornalista a poucos centímetros de distância, proferindo gritos e intimidações.
Categoria exige apuração e responsabilização
No documento, as entidades pedem à Presidência da Câmara dos Deputados uma investigação “imediata e rigorosa”, além da responsabilização administrativa e legal dos servidores e parlamentares envolvidos. Também solicitam a adoção de protocolos de segurança que assegurem o livre exercício do jornalismo em todas as dependências do Congresso Nacional.
Segundo a nota, agentes da Polícia Legislativa presenciaram a hostilidade mas não intervieram. Para as organizações, o silêncio das autoridades demonstra conivência e ameaça diretamente a liberdade de imprensa, considerada pilar essencial da democracia, conforme destaca relatório da Repórteres sem Fronteiras.
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Jornalista mantém cobertura apesar das ameaças
Com mais de duas décadas de atuação no Parlamento, Manuela Borges afirmou que não se deixará intimidar e continuará cobrindo as atividades da Casa. Em 2014, ela já havia sido hostilizada pelo então deputado Jair Bolsonaro ao questioná-lo sobre o golpe de 1964.
Até o momento, nem o Partido Liberal nem a Presidência da Câmara se manifestaram publicamente sobre o caso.
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Crédito da imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fonte: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
